
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) recomendou à Prefeitura de São Paulo a intervenção na gestão da Feira da Madrugada do Brás, atualmente administrada pela empresa Circuito de Compras. A feira, que atrai cerca de 15 mil pessoas diariamente, é composta por milhares de pequenos comerciantes que vendem produtos populares, roupas e eletrônicos.
Segundo o MPSP, a concessionária cometeu diversas irregularidades e acumula uma dívida que ultrapassa R$ 163 milhões, comprometendo a continuidade da sua gestão. O órgão solicitou que a prefeitura e a agência reguladora SP Regula determinem a intervenção na concessão dentro de um prazo de 15 dias, além de adotar medidas para proteger o interesse público relacionado ao contrato.
Essa solicitação é parte de um inquérito civil em andamento, que investiga a execução do contrato firmado entre o município e a concessionária responsável pela operação da feira. A apuração do MP revelou falhas nos investimentos acordados, dificuldades operacionais e uma elevada ociosidade do espaço utilizado.
A Promotoria também considerou os relatos de comerciantes e representantes do setor, que relataram um aumento significativo nos custos de ocupação dos boxes e uma queda na atratividade econômica do empreendimento. Além disso, muitos comerciantes continuam a operar em vias públicas nas regiões do Brás e do Pari, o que pode contrariar os objetivos que levaram à concessão.
Recentemente, uma Comissao Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal apurou denúncias envolvendo extorsão de camelôs e venda de produtos falsificados. Na ocasião, parlamentares aliados ao governo pediram uma revisão na concessão, apoio que foi também reiterado pela administração do prefeito Ricardo Nunes.
A concessionária Circuito de Compras foi contatada, mas até o momento não se manifestou sobre o assunto. O espaço permanece aberto para qualquer declaração.



