Jovens brasileiros com experiências em crise hídrica irão à ONU
Dois jovens brasileiros com experiências em crise hídrica representarão o país na Conferência da ONU sobre Água em Abu Dhabi em dezembro

Erleyvaldo Bispo, ativista sergipano de 28 anos, e Laura de Azevedo Viana, bacharel em direito de 23 anos, representarão o Brasil na Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a Água, marcada para ocorrer entre 8 e 10 de dezembro em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Eles foram selecionados entre 100 jovens de 75 países durante o programa Global Youth Water Envoys.
Ambos enfrentaram dificuldades relacionadas ao acesso à água potável em suas comunidades. Erleyvaldo, que cresceu em Lagarto, no agreste de Sergipe, destacou a importância de sua vivência para sua luta em favor do acesso à água. “Por ter vivido a falta d’água, acredito que isso me coloca na posição de alguém que valoriza realmente a água”, afirmou.
A conferência, coorganizada pelo governo dos Emirados Árabes e Senegal, busca acelerar a implementação do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 6 (ODS 6), focando na gestão sustentável da água e do saneamento para todos. O evento reunirá delegações de governos, organizações internacionais, sociedade civil e pesquisadores da área.
Os jovens escolhidos passarão por um período de preparação de dois meses que visa capacitá-los a colocar as prioridades da juventude e as realidades locais no centro das discussões globais. O objetivo é que eles participem ativamente dos resultados da conferência, e não apenas como observadores.
Erleyvaldo, que é cofundador da ONG Águas Resilientes, disse que irá a Abu Dhabi representando a voz de milhares de brasileiros que vivem sem garantir o acesso à água. “Vou levar a voz de milhares de brasileiros que acordam todos os dias sem saber se terão água para beber”, declarou.
Laura de Azevedo, que atua na governança dos oceanos e no combate ao racismo ambiental, também enfrentou problemas de abastecimento em sua comunidade em Salvador. Ela espera que a juventude seja ouvida na conferência e acredita que o ativismo pode alinhar-se ao conhecimento científico para evidenciar desigualdades, principalmente nas comunidades mais afetadas pela degradação da água.
O ministro dos Assuntos da Juventude dos Emirados Árabes, Sultan bin Saif Al Neyadi, destacou que os jovens enviados à conferência devem atuar como “colaboradores qualificados”. Ele ressaltou que a contribuição deles será fundamental para dar voz às comunidades frequentemente ignoradas nas discussões sobre o tema.

