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Dois em Cada Três Jovens na Europa Relatam Ter Sofrido Abusos, Aponta OMS

Pesquisa da OMS revela que 67% dos jovens europeus sofreram abusos na infância, refletindo um grave problema de saúde e impacto social

Um alarmante estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou que dois em cada três jovens europeus relataram ter sido vítimas de abusos, negligência e violência durante a infância. A pesquisa, que abrangeu 26 mil pessoas entre 18 e 30 anos em países da União Europeia, Noruega e Islândia, expõe uma realidade preocupante sobre o impacto das experiências adversas na vida desses indivíduos.

Dentre os entrevistados, 20% relataram ter vivenciado quatro ou mais tipos de experiências adversas na infância. As consequências são graves: 76,3% deles buscaram apoio profissional para questões de saúde mental, evidenciando a profundidade dos traumas que enfrentam. O estudo sugere que esses jovens não apenas apresentam maior vulnerabilidade à violência, como também estão mais propensos a a exercer essa mesma violência, tendo frequentemente sido alvos de ‘ciberbullying’ na infância.

Os dados foram coletados entre novembro de 2025 e janeiro de 2026. O relatório indica que a exposição a essas experiências adversas pode levar ao abandono escolar, ao desemprego e à permanência em lares de baixos rendimentos. Além disso, muitos entrevistados expressam uma diminuição na confiança nas outras pessoas e um sentimento de desconexão com suas comunidades.

“Quando uma criança cresce num ambiente de violência ou em um lar em crise, não nos deve surpreender que essas experiências a acompanhem anos mais tarde na escola, no mercado de trabalho e nas suas relações”, afirmou Natasha Azzopardi-Muscat, diretora de Sistemas de Saúde da OMS Europa.

Azzopardi-Muscat ressaltou que este não é um problema isolado, atingindo uma vasta parcela da população e transcende a saúde mental, configurando-se como um desafio social e econômico que requer a ação de diversos setores, além dos serviços de saúde.

Diante dos dados alarmantes, a OMS pediu a implementação de políticas para combater as condições que favorecem essas situações, com especial atenção à pobreza, exclusão social e à violência nas comunidades. A organização também recomendou que sistemas de saúde, apoio social, educação e justiça sejam capacitados para identificar e responder adequadamente às necessidades das pessoas afetadas, ajudando a interromper a transmissão desse ciclo adverso para as próximas gerações.

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