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Nossa Senhora Aparecida completa 95 anos como padroeira do Brasil e sua história fascinante é revelada

Celebrando 95 anos como padroeira do Brasil, a história de Nossa Senhora Aparecida destaca sua origem e sua importância espiritual para o país e a América Latina

No dia 12 de outubro, o Brasil celebra a padroeira do país, Nossa Senhora Aparecida, em uma tradição que remonta a 1717. Naquele ano, três pescadores — Domingos Garcia, João Alves e Felipe Pedroso — exploravam as águas do Rio Paraíba do Sul, em São Paulo, quando encontraram uma imagem de barro da Imaculada Conceição submersa. O achado transformou suas vidas e deu início a uma devoção que se espalharia pelo país.

Com o tempo, relatos de milagres e graças atribuídos à intercessão da Virgem Maria foram se multiplicando, atraindo romeiros de diversas partes do Brasil. O reconhecimento oficial da imagem veio em 1930, quando o papa Pio XI decretou Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. A cerimônia de prolatação ocorreu um ano depois, no Rio de Janeiro, reunindo cerca de 1 milhão de fiéis, e foi marcada pela inclusão das bandeiras do Brasil e do Vaticano no manto da imagem.

Desde 1980, o feriado nacional em homenagem à padroeira ocorre anualmente, coincidindo com a primeira visita do papa João Paulo II ao país. Hoje, aproximadamente 10 milhões de peregrinos visitam anualmente o Santuário Nacional de Aparecida, localizado no interior de São Paulo, buscando renovar sua fé e confiando suas intenções à Virgem.

Missa em ação de graças a nossa Senhora Aparecida na esplanada dos ministérios.
Missa em ação de graças a nossa Senhora Aparecida na esplanada dos ministérios.

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

De acordo com dom Vilson Dias de Oliveira, bispo emérito de Limeira e membro da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a solenidade de Nossa Senhora Aparecida é um “farol espiritual” que transcende fronteiras geográficas. Em uma carta, ele ressaltou a importância da devoção, especialmente em um continente marcado por desigualdades.

“O achado da pequena imagem nas águas do Rio Paraíba do Sul não inaugurou apenas um capítulo na história da fé nacional, mas inscreveu no patrimônio da Igreja um acontecimento profundamente teológico: a manifestação da solicitude de Maria pelos pequenos, pelos descartados e pelos continentes que buscam a sua libertação e unidade no Evangelho de Cristo”, escreveu.

Dom Vilson destacou que a Virgem Aparecida representa uma expressão viva do catolicismo na América Latina, onde as feridas históricas convivem com uma fervorosa piedade popular.

“O continente latino-americano, marcado por feridas históricas de desigualdade, mas iluminado por uma piedade popular fervorosa, encontra na Virgem de barro negro a expressão viva do rosto da própria Igreja continental”, afirmou.

Para o bispo emérito, a figura da Virgem Aparecida simboliza a grandeza de Deus manifesta na fragilidade e humildade, servindo como um chamado à evangelização que deve surgir do amor e da realidade concreta das comunidades.

“Que as comunidades espalhadas por todo o Brasil e pelos países irmãos da América Latina não temam dar este passo audacioso. Diante dos desafios sociais, econômicos e espirituais que marcam o nosso tempo, a Virgem Aparecida nos recorda que Deus continua a realizar suas maiores maravilhas por meio dos humildes e organizados em comunidade”, concluiu dom Vilson Dias de Oliveira.

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