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Professores adotam inteligência artificial para transformar o aprendizado e aumentar a participação dos alunos

Professores utilizam IA para estimular a imaginação dos alunos sobre suas carreiras futuras, promovendo engajamento e autoestima na sala de aula

Um projeto inovador envolvendo inteligência artificial está emocionando estudantes de Campinas (SP). A professora Giovanna Macedo, de 27 anos, utilizou o recurso para mostrar a seus alunos do 4º ano do ensino fundamental como poderiam ser no futuro, desempenhando as profissões dos sonhos. Após registrar fotos dos 31 alunos em 2025, ela aplicou essas imagens no ChatGPT, transformando-as em representações futurísticas que rapidamente viralizaram nas redes sociais.

O resultado encantou as crianças, que sonham em ser desde jogadores de futebol a astronautas, veterinários, bailarinos e músicos. O vídeo que exibe suas reações emocionadas ao ver as imagens geradas por IA gerou uma onda de compartilhamentos e comentários, levando a proposta de Giovanna a um público global.

“Para mim, como professora, é muito significativo criar situações em que os alunos se sintam valorizados e vejam que alguém acredita neles, que têm potencial para irem além”, destacou Giovanna em entrevista à Agência Brasil.

Celebrando mais um Dia do Professor neste 15 de outubro, a educadora, que exerceu a profissão nos últimos oito anos, ainda não possui formação específica em IA, mas se mostra ávida por aprender. “Busco sempre maneiras de tornar minhas aulas mais interessantes, utilizando tecnologia de forma intuitiva”, afirmou.

Giovanna deseja que sua experiência sirva de inspiração para outros educadores explorarem novas metodologias de ensino, destacando a importância de ouvir e atender às necessidades dos alunos, em um contexto em que a tecnologia é cada vez mais presente.

Cultura digital nas escolas

O avanço da tecnologia nas salas de aula é um desafio que muitas escolas enfrentam. Kassula Correa, diretora-geral da Start Anglo Bilingual School no Rio de Janeiro, alerta que a facilidade de acesso às informações nem sempre se traduz em habilidades críticas. “Uma criança pode manusear um celular com destreza, mas pode não saber discernir informações falsas ou avaliar os riscos de compartilhar dados pessoais”, adverte.

Ela enfatiza que o educador deve estar atento às diversidades dentro da sala de aula, oferecendo formação e recursos que atinem aos diferentes ritmos de aprendizagem dos alunos. “A escola deve continuar sendo um espaço de desenvolvimento socioemocional, independentemente da evolução tecnológica”, ressalta.

Capacitação docente

Marcio Luiz Dias, professor e doutorando em Educação, atua há 13 anos na formação contínua de docentes no Distrito Federal. Ele considera fundamental que a educação formal se adapte à velocidade das transformações digitais. “A formação continuada é indispensável para que os educadores possam mediar o uso crítico e colaborativo das tecnologias”, aponta.

“O currículo das faculdades não consegue acompanhar a velocidade das inovações. Por isso, é necessário um esforço constante para capacitar professores, tanto os mais experientes quanto os recém-formados”, analisa Marcio.

Ele reconhece o receio de alguns educadores em adotar ferramentas de IA, mas acredita na inevitabilidade de sua presença nas salas de aula. “Temos que ir além do uso mecânico e promover uma prática pedagógica intencional”, destaca.

Inteligência artificial como aliada

A inteligência artificial pode desempenhar um papel crucial na automação de tarefas administrativas, liberando tempo para que os educadores se dediquem ao acompanhamento de seus alunos. “Precisamos otimizar nosso tempo, não apenas administrar rotinas burocráticas, mas também nos concentrar no planejamento e na individualização do ensino”, enfatiza Marcio.

Entretanto, Kassula adverte que a escolha da melhor técnica ainda deve ser feita pelo educador, considerando a real interação e o desenvolvimento dos alunos. “A tecnologia deve ser usada para enriquecer a experiência educacional, e não como um substituto da relação humana”, diz.

Aplicação prática

No CEMI de Taguatinga, Jaime Guilherme de Oliveira une sua experiência no mercado corporativo e as novas tecnologias para enriquecer suas aulas de computação gráfica. Ele utiliza IA para criar conteúdos que ajudam na compreensão e no planejamento de atividades adaptativas, bem como jogos educativos. “A inteligência artificial me ajuda a moldar as aulas conforme as necessidades dos estudantes”, explica.

“Mais importante que saber gerar conteúdo com AI é entender o propósito desse conteúdo. A intenção e a sensibilidade são essenciais e permanecem humanas”, observa Jaime.

Desafios e futuro

Marcio advertiu sobre a necessidade de um letramento digital abrangente, que não apenas tenha acesso à tecnologia, mas que prepare os alunos para usar as informações de forma crítica. “O caminho do letramento digital não é fácil, mas é importante para garantir que os estudantes aprendam a analisar e argumentar”, conclui.

O Ministério da Educação (MEC) também se mobiliza nesse sentido e anunciou que uma nova resolução sobre o uso de inteligência artificial deve ser publicada em breve. A proposta visa ampliar o uso pedagógico da tecnologia, proteger a autonomia dos professores e garantir a segurança dos alunos. “Estamos estabelecendo diretrizes que formem um parâmetro nacional para a introdução da IA nas escolas”, comunicou o ministério.

Atualmente, 78,7% das escolas públicas estão conectadas à internet de qualidade, conforme os padrões do MEC e a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas, o que representa um avanço significativo no acesso à informação e ao aprendizado.

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