Mobilização conjunta é fundamental para garantir segurança alimentar sustentável
Articulação entre agricultura familiar e cozinhas solidárias é essencial para combater a insegurança alimentar e garantir acesso a alimentos saudáveis no Brasil

O Brasil e seus agentes do bem, como produtores da agricultura familiar e líderes de cozinhas solidárias, celebram nesta sexta-feira (16) o Dia Mundial da Alimentação com uma mensagem de esperança: é possível manter o país fora do Mapa da Fome por meio de esforços conjuntos e solidários. Recentemente, a Organização das Nações Unidas afirmou que o número de pessoas subnutridas no Brasil permanece abaixo de 2,5% nos últimos três anos, uma conquista significativa para a nação.
Um exemplo inspirador desse empenho é a Cozinha Solidária Cantinho da Vovó, em Brasília, liderada por dona Maria do Cerrado. Essa iniciativa já se tornou um pilar de sustentação para mais de 800 pessoas em situação de vulnerabilidade, oferecendo não apenas alimento, mas também acolhimento e solidariedade.
Três vezes por semana, dona Maria e seus 37 voluntários se revezam em atividades que vão desde a separação e armazenamento de alimentos até o preparo e acolhimento dos frequentadores. “É o momento em que a gente se aproxima para conversar aqui dentro desse espaço que alimenta, onde a gente cultua o alimento como sagrado, como cura”, destaca dona Maria, ressaltando a importância das refeições como um espaço de convivência e resolução de conflitos familiares.
“Por isso, é feito com muito zelo,” completa ela, frisando o cuidado que permeia todo o trabalho desenvolvido.
Além do trabalho na cozinha, 200 cestas básicas são distribuídas mensalmente às famílias em situação mais crítica, um esforço que se fortaleceu com a parceria com produtores como Hosana Alves do Nascimento. Representando a nova geração de agricultores familiares, Hosana transformou uma área urbana em São Sebastião, cidade-satélite do Distrito Federal, em um sistema agroflorestal, cultivando hortaliças, verduras e frutas sem o uso de venenos.
“A nossa produção é considerada agroecológica, porque não usa veneno,” explica Hosana, que otimiza seu pequeno espaço para garantir uma colheita abundante.
Essa colaboração entre a Cozinha Solidária e os produtores é facilitada pelo Programa de Aquisição de Alimentos, uma política pública do Ministério do Desenvolvimento Agrário que conecta alimentos frescos e saudáveis às cozinhas solidárias. Este programa é uma extensão da iniciativa do Ministério do Desenvolvimento Social, focada no atendimento de pessoas em vulnerabilidade alimentar.
Para Lilian Rahal, secretária de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento Social, essa interconexão é vital. “Esse elo entre diferentes pessoas permite que o alimento chegue a quem precisa,” afirma, destacando a importância de levar comida de verdade – produzida pela agricultura familiar – a regiões carentes.
“Nós conseguimos entregar comida de verdade, alimentos saudáveis, em regiões onde nem sempre o Estado consegue estar presente,” complementa a secretária.
A diversidade alimentar oferecida a quem necessita também merece destaque, uma vez que muitas famílias desconhecem até os alimentos mais comuns. Hosana compartilha uma experiência tocante: “Em uma das entregas, um menininho perguntou à mãe: ‘Nós vamos comer melancia?’ Aquilo me doeu por dentro, de a criança não ter acesso a uma simples melancia,” relata, trazendo à luz a realidade alarmante da fome na infância.
Fernanda Machiaveli, ministra do Desenvolvimento Agrário, lembra que o movimento contra a insegurança alimentar ganhou força a partir da própria sociedade civil, especialmente durante a pandemia, quando a criação das cozinhas solidárias se intensificou, ressaltando a resiliência e a união de esforços em tempos de crise.



