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Estudantes reemergem como protagonistas em fase crucial para o país, afirma UNE

Estudantes fortalecem mobilizações nas ruas em defesa da democracia e da educação pública durante as eleições presidenciais, aponta a UNE

Às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, o movimento estudantil brasileiro se mobiliza intensamente, levantando a bandeira da democracia e da educação pública. Milhares de estudantes em diversas cidades têm participado de protestos expressivos, defendendo não apenas seus direitos, mas também a importância de escolhas políticas que impactam diretamente o futuro do país.

Em entrevista à Agência Brasil, Bianca Borges, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), ressalta a relevância do engajamento de universitários e secundaristas nos atos, lembrou das lutas históricas do movimento estudantil em momentos críticos da política nacional. A dirigente recordou mobilizações históricas, desde a resistência à ditadura militar até campanhas por eleições diretas e a luta contra políticas governamentais de desmonte da educação.

“Estamos diante de uma eleição que não é apenas uma disputa, mas uma decisão crucial sobre o futuro do Brasil”, declarou Bianca, que enfatiza o risco de um governo autoritário que desconsidera a educação como um direito fundamental.

Dentre os desafios enfrentados, Bianca citou o subfinanciamento das universidades públicas e a necessidade de garantir condições adequadas para alunos de baixa renda. A defesa da democracia está intrinsecamente ligada à valorização da educação pública e à melhoria da qualidade de vida para a juventude brasileira.

“É a vocação dos estudantes brasileiros se levantarem por direitos, por democracia e por educação. Essa luta é uma tradição da UNE desde sua fundação”, ressaltou a presidente.

Na última sexta-feira, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou um pedido da campanha do candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) que tentava barrar publicações nas redes sociais de 54 representantes de sindicatos e organizações estudantis, incluindo a UNE.

Confira as principais propostas dos presidenciáveis para a educação.

Perfil da Líder Estudantil

Bianca Borges é estudante de Letras do Instituto Federal de São Paulo (IFSP) e, aos 25 anos, assume a presidência da UNE para o mandato de 2025–2027. Natural de Itapevi e criada em Praia Grande, sua jornada no movimento estudantil começou aos 14 anos, quando representava sua sala na Escola Técnica Estadual e fundou um grêmio escolar.

Formada em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), Bianca já ocupou cargos de liderança no Diretório Central dos Estudantes (DCE) e na União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP), onde se destacou na resistência às propostas de privatização da educação pública.

Principais trechos da entrevista com Bianca Borges:

Agência Brasil: O que motivou os estudantes a voltarem às ruas neste momento? Quais acontecimentos impulsionaram essa mobilização?

Bianca Borges: Estamos diante de uma eleição que representa não apenas uma disputa, mas o futuro do Brasil. A candidatura de Flávio Bolsonaro simboliza a possibilidade de um governo autoritário, que é contra a educação e representa um retrocesso. Por isso, os estudantes se mobilizam em defesa de direitos, da soberania e da democracia.

Agência Brasil: Você enxerga uma conexão entre este momento atual e a Passeata dos 100 mil, de 1968, durante a ditadura militar?

Bianca Borges: Sem dúvida. Recentemente, realizamos um ato no Rio de Janeiro que reuniu um número significativo de estudantes, similar àquela importante mobilização dos anos 60. Constantemente, evocamos a memória de Edson Luís, um símbolo da resistência estudantil contra o autoritarismo.


Rio de Janeiro (RJ), 07/10/2026 – Milhares de estudantes participam de manifestação em apoio à reeleição do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, no centro da cidade. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 07/10/2026 – Milhares de estudantes participam de manifestação em apoio à reeleição do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, no centro da cidade. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Rio de Janeiro (RJ), 7/10/2026 – Milhares de estudantes participam de manifestação em apoio à reeleição do presidente Lula, no centro da cidade – Foto: Fernando Frazão/Arquivo/Agência Brasil

Agência Brasil: Qiem são os participantes deste movimento? Há uma mudança no perfil dos estudantes mobilizados?

Bianca Borges: O nosso movimento teve início nas universidades após o primeiro turno das eleições, com um ato na Universidade Federal Fluminense (UFF), que rapidamente se transformou em uma grande manifestação. Temos notado um protagonismo crescente dos secundaristas, como no ato na Candelária, organizado por estudantes do Colégio Pedro II, um colégio federal do Rio de Janeiro.

Agência Brasil: Quais são as principais reivindicações que mobilizam os estudantes hoje?

Bianca Borges: Desde o início do governo Bolsonaro, enfrentamos ataques diretos à educação, sendo o Future-se um dos principais projetos que consideramos prejudiciais. O foco deles não é garantir uma educação pública de qualidade, mas sim desvirtuar as universidades e seus papéis críticos.

Agência Brasil: Quais características do bolsonarismo justificam seu entendimento sobre fascismo no contexto atual?

Bianca Borges: O autoritarismo, que se traduz na deslegitimação de organizações populares e de movimentos como o estudantil, além de um cenário de violência política que ameaça instituições e integrantes de nossa comunidade.


Brasília (DF), 13/10/2026 – Ato em apoio à candidatura de reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República, no Museu da República, em Brasília. Foto: Walter Campanato/Agência Brasil.
Brasília (DF), 13/10/2026 – Ato em apoio à candidatura de reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República, no Museu da República, em Brasília. Foto: Walter Campanato/Agência Brasil.

Brasília (DF), 13/10/2026 – Ato em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Museu da República, na capital federal – Foto: Walter Campanato/Arquivo/Agência Brasil

Agência Brasil: Quais são os perigos das propostas de Flávio Bolsonaro em relação à educação?

Bianca Borges: O que nos preocupa é o plano de “tesouraço” aos direitos sociais e o retrocesso no financiamento das universidades, que já enfrentavam problemas graves. A proposta de transferir a gestão das universidades do MEC para o MCTI, que possui orçamento significativamente inferior, só reforça a intenção de desmonte da educação pública.

Agência Brasil: Como a UNE vê o futuro com a possível reeleição de Lula?

Bianca Borges: O apoio ao presidente Lula é essencial para barrar o retorno do bolsonarismo, que traz consigo violência política e antidemocracia. Se Lula for reeleito, vemos a possibilidade de continuar avançando nas políticas de educação, que tiveram um impacto significativo nos últimos anos.

Agência Brasil: Quais compromissos ainda são necessários em relação às universidades?

Bianca Borges: Precisamos garantir a consolidação do Plano Nacional de Assistência Estudantil com um orçamento robusto, além de mais investimentos nas universidades públicas em geral. Nossa meta é defender a efetivação de 10% do PIB na educação pública e garantir que as universidades estaduais recebam suporte financeiro adequado.

Agência Brasil: Qual mensagem a UNE tem para os jovens que se sentem distantes da política?

Bianca Borges: É fundamental que esses jovens compreendam que a luta coletiva é a chave para efetivar direitos. Precisamos mostrar que a história recente da educação no Brasil é marcada por conquistas graças a lutas políticas e que a educação permanece como um passaporte vital para um futuro digno.

Agência Brasil: Como a UNE pretende sustentar a mobilização estudantil após as eleições?

Bianca Borges: A continuidade da mobilização requer uma organização constante dentro do movimento estudantil. Independente do resultado eleitoral, a luta pela defesa da democracia e dos direitos dos estudantes deve continuar. Esse engajamento deve permanecer forte e visível nas assembleias e nos grêmios estudantis, para que possamos nos manter unidos e exigentes em nossas reivindicações.

** Em sua campanha, Flávio Bolsonaro tem garantido que investirá em educação e manterá o piso constitucional da área. No programa de governo, ele propõe a reformulação do ensino técnico e a expansão das escolas cívico-militares.

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