Candidatos intensificam embate em debate da Globo com troca de acusações e propostas para o eleitorado
Debate acirrado entre Lula e Flávio Bolsonaro gera troca de acusações sobre políticas sociais, saúde e endividamento das famílias brasileiras

O debate televisionado na TV Globo entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) foi marcado por trocas de acusações e uma expressiva manifestação de indignação do atual presidente. A discussão esquentou quando Flávio insinuou que Lula “dá com uma mão e tira com nove dedos”, numa clara referência ao dedo mínimo que o presidente perdeu em um acidente de trabalho na juventude.
No calor do momento, Lula reprovou a afirmação. “Ele disse uma grande asneira e eu não vou levar para casa. Se tem alguém que perdeu o dedo com 17 anos, fui eu. Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos!”, desabafou o petista, exigindo desculpas pela insinuação e destacando os perigos enfrentados por trabalhadores em situações de risco.
Após o embate, Flávio Bolsonaro pediu desculpas de forma pública: “Lula, se eu te ofendi, peço desculpa de verdade. Não queria te ofender. Peço desculpa de verdade”. No entanto, poucos minutos depois, ele atacou o governo, questionando se Lula pediria desculpas aos “moradores de rua que dobraram diante do seu governo”. Dados do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas sugerem que 365,8 mil pessoas estavam em situação de rua em dezembro de 2025, um aumento significativo em relação ao ano anterior.
Políticas Sociais e Licença-Maternidade
No decorrer da discussão, Lula aproveitou para questionar Flávio sobre sua oposição à ampliação da licença-maternidade enquanto era deputado estadual no Rio de Janeiro. Flávio admitiu seu voto contra e disse ter revisado sua posição após se casar e ter filhas, ressaltando a importância do vínculo materno.
Lula, por sua vez, criticou a resposta de Flávio e questionou sua falta de respeito ao se referir ao Bolsa Família de forma pejorativa no passado. Em resposta, Flávio garantiu que, se eleito, manteria e ampliaria os benefícios sociais, incluindo o programa.
Endividamento e Dívida Pública
Flávio também aproveitou o debate para abordar o tema do endividamento das famílias brasileiras, atribuindo a responsabilidade ao governo Lula e suas políticas econômicas. Em resposta, Lula defendeu que a questão dos juros altos e do endividamento da população tem origem na política do Banco Central, enfatizando a importância do crescimento econômico para a redução da dívida.
“Lula, por que você está deixando as famílias brasileiras tão endividadas?”, perguntou Flávio, ao mencionar uma dívida pública que chega a R$ 11 trilhões. O candidato do PL afirmou que, caso eleito, planeja usar a Caixa Econômica Federal para comprar e refinanciar dívidas.
O presidente retrucou que sua gestão já havia enviado ao Senado propostas para a renegociação de dívidas e citou uma operação de R$ 15 bilhões que beneficiou 4,5 milhões de pessoas.
Saúde Pública
A saúde pública também foi um tópico debatido, com Lula questionando Flávio sobre declarações de sua equipe em relação à falta de investimentos no Sistema Único de Saúde (SUS) e sobre a gestão da pandemia no governo Bolsonaro. “Como você quer melhorar a saúde desse país negando o plano de saúde mais importante que temos?”, indagou Lula, apontando para as mortes durante a pandemia e criticando a falta de organização em resposta à crise de saúde.
Em resposta, Flávio declarou sua intenção de manter e ampliar os investimentos no SUS, mas criticou a administração atual, mencionando as longas filas de espera e o financiamento da saúde. “O tesouraço vai ser na corrupção do atual governo”, afirmou, referindo-se a cortes que pretende implementar.


