
O ex-secretário de Comunicação do Governo Federal, Fábio Wajngarten, foi ouvido nesta quarta-feira (12) pela CPI da Covid. Só que o depoimento foi marcado por diversas acusações e confusão entre os parlamentares. Ele confirmou que hoje rejeição das propostas por aquisição da vacina contra a Covid-19.
Durante o depoimento, Wajngarten não fez críticas ao governo e não apontou os responsáveis pelo agravamento da pandemia do coronavírus no país à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado.
Nas quase oito horas de depoimento, ele saiu em defesa do presidente da República, Jair Bolsonaro (Sem partido), e chegou a fazer elogios ao ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, com quem já havia dito que não conversava.
Sobre Bolsonaro, Wajngarten disse que o presidente sempre reiterou que compraria “toda e qualquer vacina” que fosse autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Já para Pazuello, fez elogios, onde inclusive o chamou o ex-ministro de “corajoso”.
Ele contou que Bolsonaro recebeu uma carta do presidente da Pfizer em setembro ano passado oferecendo vacinas. Mas o documento ficou sem resposta por dois meses, até o próprio Wajngarten contatar a farmacêutica.
O ex-chefe da Secom deu informações consideradas “mentirosas” pela cúpula da CPI sobre campanhas publicitárias relativas à Covid-19, sobre as negociações com a Pfizer e a existência de um “assessoramento paralelo” para orientar Bolsonaro.
Acusações
O relator da CPI da Covid, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), e o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), ambos integrantes da comissão, e Fabiano Contarato (Rede-ES), não integrante da comissão, defenderam que ele fosse preso.
“O senhor disse que nunca negociou nada com a Pfizer. Você não participou de negociação com a Pfizer. O senhor disse que seus encontros com representantes da Pfizer haviam sido registrados. Não há informação no site do governo. O senhor disse que estava afastado da Secom em março de 2020. Mentiu de novo: Vossa Excelência estava numa live com Eduardo Bolsonaro”, afirmou o senador Rogério Carvalho (PT-SE)
Já o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), se disse contrário ao pedido de prisão. “Não é impondo a prisão de alguém que a CPI vai dar resultados”, afirmou.
Aziz suspendeu a reunião após uma discussão entre o senador Flavio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente da República, e o relator Renan Calheiros. Flavio Bolsonaro, que não é membro da comissão e intercedeu para defender Wajngarten, chamou o relator de “vagabundo” em razão do pedido de prisão.
Ex-secretário entra em contradição
Durante o depoimento, Wajngarten recuou de declarações publicadas em entrevista à revista “Veja”, que motivou a convocação dele à CPI.
À revista, o ex-secretário disse que o atraso do governo na aquisição de vacinas foi motivado por “incompetência” do Ministério da Saúde. Também eximiu o presidente Jair Bolsonaro de responsabilidade e disse que ele era abastecido com informações erradas.
Wajngarten foi perguntado diversas vezes sobre as críticas feitas na entrevista, mas tergiversou. O ex-chefe da Comunicação do governo disse, após pedir tempo para pensar que mantinha as declarações sobre as informações erradas, mas ressalvou que não sabia dizer quais eram os responsáveis por essas informações.
O ex-secretário também afirmou que não se referia ao ex-ministro Eduardo Pazuello quando disse que houve “incompetência” no processo de aquisição de vacinas. “Eu entendo que a incompetência é ficar refém da burocracia”, afirmou.
Negociações com a Pfizer
À CPI, Wajngarten tentou explicar os motivos de ter entrado nas negociações com a Pfizer para a aquisição de vacinas.
Em janeiro deste ano, a Pfizer divulgou uma nota na qual informou que, em agosto do ano passado, ofereceu ao governo brasileiro a possibilidade de comprar um lote de 70 milhões de doses da vacina da farmacêutica contra a Covid-19, com entrega prevista a partir de dezembro de 2020.
Segundo Wajngarten, ele tomou conhecimento, em novembro do ano passado, de uma carta que a farmacêutica havia mandado ao governo oferecendo vacinas. Além de Bolsonaro, o documento foi endereçado ao vice Hamilton Mourão, aos ministros Paulo Guedes (Economia), Walter Braga Netto (à época na Casa Civil), Eduardo Pazuello (Saúde) e ao embaixador do Brasil para os Estados Unidos, Nestor Forster.
O depoente contou que enviou um e-mail para o presidente da Pfizer e, depois, teve três reuniões com representantes da farmacêutica no seu gabinete. As correspondências eletrônicas, os registros e cópias das minutas dos contratos, porém, jamais foram divulgados. Segundo ele, o material está no computador funcional que utilizava na Secom.
Segundo Wajngarten, em nenhum momento a Secom “negociou valores e negociou condições contratuais”.
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