Rio de Janeiro é escolhido para programa global de gestão de resíduos

Rio de Janeiro integra seleção mundial para o programa Distritos Lixo Zero, visando reduzir resíduos e emissões de metano até 2040

A capital fluminense foi escolhida como uma das sete cidades do mundo para participar do programa global Distritos Lixo Zero, que visa a gestão de resíduos e a redução de emissões de metano. O anúncio ocorreu em Nova York, durante a Semana do Clima, que integra a agenda climática das Nações Unidas.

Segundo o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima, o Rio de Janeiro lidera o ranking brasileiro de emissões de gases do efeito estufa no setor de resíduos.

As outras cidades selecionadas para a iniciativa são George Town, Penang e Kuala Lumpur, na Malásia; Santiago e Patagônia, no Chile; e Kisumu, no Quênia. A proposta do programa é desenvolver modelos de governança e financiamento para a gestão de resíduos, especialmente os orgânicos, em distritos antes da 31ª Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP31), agendada para novembro em Antalya, na Turquia.

O objetivo é desviar pelo menos 70% dos resíduos dos aterros sanitários até 2030 e 90% até 2040, contribuindo para a redução das emissões de metano e melhorando a qualidade do ar, o que impacta positivamente na saúde das populações.

Marcelo Mena, diretor executivo do Global Methane Hub (GMH), enfatizou que os Distritos Lixo Zero são uma oportunidade prática para promover benefícios à saúde, além de gerar empregos e fomentar a recuperação de recursos valiosos.

Os modelos desenvolvidos serão testados e compartilhados, possibilitando sua adoção em bairros de outras cidades ao redor do mundo, com o intuito de cumprir acordos globais de redução de metano.

O secretário nacional de Meio Ambiente, Adalberto Maluf, afirmou que a participação do Rio de Janeiro no programa é um avanço nas ações climáticas, considerando seu papel nas presidências da COP30 e COP31.

Maluf ressaltou que o Brasil já possui diversas soluções para reduzir emissões de metano, desde a gestão de resíduos até iniciativas de economia circular. Ele mencionou ainda a importância de evitar o desperdício de alimentos para reforçar a segurança alimentar.

Um exemplo de ação prática é o monitoramento mensal de plumas de metano por satélite, iniciado em 2023, no Centro de Tratamento de Resíduos da Comlurb (CTR-Rio), em Seropédica. Essa iniciativa ajudou a identificar intervenções necessárias no aterro para reduzir emissões e, em parceria com a GMH, quase 500 poços foram incorporados à rede de captação de biogás, aumentando em 7,35% o aproveitamento do metano para energia em 2025.

Henrique Bezerra, diretor regional do GMH para a América Latina, observou que o CTR-Rio é um exemplo de estratégia que pode ser replicada em aterros sanitários globalmente, promovendo comunidades mais saudáveis e sustentáveis.

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