Apenas 20% dos candidatos a governos estaduais têm planos robustos de saneamento
Estudo revela que apenas 21 candidatos possuem planos de saneamento abrangentes, destacando a necessidade de metas claras e compromisso efetivo


Um levantamento do Instituto Trata Brasil revelou que apenas 13 dos 62 principais candidatos a governos estaduais têm planos abrangentes para a área de saneamento. A pesquisa analisou os planos de governo dos candidatos com maior probabilidade de serem eleitos ou disputarem o segundo turno, segundo pesquisas de intenção de voto realizadas entre 22 de agosto e 4 de setembro de 2023.
A análise do Trata Brasil avaliou quatro eixos fundamentais de políticas de saneamento: planejamento e coordenação para universalização, viabilização de investimentos, governança e regulação, além de metas tangíveis. Os candidatos foram classificados em categorias que variam de “ausente” a “abrangente” de acordo com o número de eixos abordados em seus planos.
Todos os 62 candidatos mencionaram pelo menos um eixo de saneamento em suas propostas. Destes, cinco foram considerados com planos superficiais, enquanto 44 apresentaram propostas transversais, abordando dois ou três eixos. Apenas 13 candidatos incluíram os quatro eixos analisados.
Luana Pretto, presidente executiva do Instituto Trata Brasil, destacou que, embora o tema saneamento básico esteja mais presente nas propostas, a abordagem ainda é limitada. “Os candidatos mencionam o tema, mas frequentemente sem compromissos claros e objetivos. Precisamos de metas quantificáveis que mostrem a evolução do saneamento durante o mandato”, afirmou.
Entre as propostas, a universalização de serviços aparece em 87% dos planos, mas somente 26% apresentam metas definidas. Além disso, apenas 32% falam sobre regulação, um aspecto crucial para garantir a eficiência e a expansão dos serviços de saneamento.
O Instituto observa que a inclusão do tema saneamento nas propostas não é sinônimo de compromisso efetivo por parte dos candidatos. Apesar da pauta ter sido inserida no debate eleitoral, ela ainda carece de profundidade e instrumentos de acompanhamento adequados. Luana ressaltou que estados como Acre, Maranhão e Amazonas, que apresentam indicadores de saneamento preocupantes, têm candidatos que mal mencionam o tema.
“Precisamos que candidatos em estados com indicadores ruins se comprometam com o saneamento. Faltam apenas sete anos para a universalização dos serviços, e a falta de compromisso atual pode comprometer essa meta”, concluiu Luana Pretto.



