Elza e A Margem do Rio se destacam com os principais prêmios no Festival do Rio
Cinema brasileiro brilha no Festival do Rio com A Margem do Rio e Elza conquistando os principais prêmios entre 101 filmes exibidos


O cinema brasileiro brilha intensamente na noite de encerramento da 28ª edição do Festival do Rio, que após dez dias de intensa programação, revelou os vencedores dos prestigious Troféus Redentor. A cerimônia, realizada no icônico Cine Odeon, localizado no centro do Rio de Janeiro, reuniu uma imersão cultural e social presente nas produções destacadas.
A Margem do Rio, dirigido por Enock Carvalho e Matheus Farias, foi laureado como o melhor longa-metragem de ficção. Já Elza, de Eryk Rocha, conquistou o título de melhor longa-metragem documentário. Esta edição do festival atraiu um público de mais de 150 mil pessoas, consolidando sua importância no cenário audiovisual nacional.
Elza
Filho do renomado cineasta Glauber Rocha, Eryk Rocha não conteve a emoção ao receber o Redentor por Elza, que fez sua estreia mundial no festival. O documentário é um retrato íntimo de Elza Soares, uma das ícones da música brasileira, e representa um longo processo de criação, marcado por oito anos de filmagens.
“Eu tô muito, muito emocionado, porque foi a estreia mundial do filme. Ele nasceu aqui, no Rio, na cidade da Elza, na minha cidade”, declarou Eryk.
O filme se destaca ao traçar a trajetória de Elza através de sua própria voz, unindo memórias pessoais, música e imagens de arquivo. Eryk explica que esta obra representa não apenas a história de uma artista, mas a luta da mulher negra brasileira no contexto sociocultural do país.
“É um filme que fala sobre o Brasil, sobre a mulher brasileira, sobre a luta”, afirmou o diretor, ressaltando a importância de conectar a vida de Elza às transformações sociais por que o Brasil passou. Ele também mencionou como o documentário incorpora elementos de filmes latino-americanos para enriquecer a narrativa.
Sobre a proximidade com a família de Elza, Eryk enfatizou que o acesso à intimidade da cantora foi tanto uma responsabilidade quanto uma das maiores realizações de sua carreira.
Melhor ator
O prêmio de melhor ator foi outorgado a Victor di Marco, por sua performance em London, que também teve sua estreia mundial no Festival de Veneza, antes de ser apresentado no Rio. Em seu discurso de agradecimento, Victor aproveitou a oportunidade para abordar o capacitismo e as barreiras enfrentadas por artistas com deficiência no setor audiovisual.
“Eu sou um ator com deficiência e falo isso com muito orgulho”, afirmou, enquanto refletia sobre as dificuldades que enfrentou no início de sua carreira. Sua jornada o levou a desenvolver uma técnica de atuação própria, que valoriza a deficiência como uma forma de inteligência.
Victor dedicou o prêmio à sua avó, que sempre o incentivou durante sua formação. Ele finalizou seu discurso defendendo uma maior representação de pessoas com deficiência no cinema: “A deficiência é algo sexy e a deficiência é o futuro”.
Outros prêmios
Na categoria de melhor atriz, o júri decidiu premiar Isabel Teixeira, por Diário do Fogo, e Grace Passô, por A Professora de Francês, reconhecendo suas trajetórias e contribuições significativas para o teatro e o cinema. A decisão de consagrar duas atrizes como vencedoras empatadas foi um dos momentos mais emblemáticos da cerimônia.
Em outras categorias, Pedro Goifman foi premiado como melhor ator coadjuvante por sua atuação em A Professora de Francês. As atrizes Renna Costa, Artia e Ísis Broken compartilharam o prêmio de melhor atriz coadjuvante, também por A Margem do Rio, reconhecendo ainda a excelência nas áreas técnicas, como fotografia e som.
Gabriel Martins foi destacado como melhor diretor por Vicentina Pede Desculpas, que também levou o prêmio de melhor roteiro. Camila Valença conquistou o prêmio de melhor direção de documentário por Cão Sem Plumas.
Durante a cerimônia, as condições de formação e financiamento para a produção de filmes brasileiros foram debatidas, ressaltando a importância de festivais como este para fomentar encontros entre profissionais da indústria, imprensa e público em geral. O evento é crucial para a apresentação de novas obras e para estimular discussões enriquecedoras sobre linguagem e representação no cinema.
A organização do festival revelou que foram exibidos 101 filmes brasileiros, entre longas e curtas-metragens, com 45 deles participando das competições oficiais. O público também teve a oportunidade de escolher suas produções favoritas em cinco categorias. Fui Olhar Você Dormir, de Anna Azevedo, foi consagrado como melhor longa-metragem documentário pelo voto popular, enquanto Vicentina Pede Desculpas foi eleito como melhor longa-metragem de ficção pela audiência.
Principais premiados do Festival do Rio 2026
- Melhor longa-metragem de ficção: A Margem do Rio, de Enock Carvalho e Matheus Farias.
- Melhor longa-metragem documentário: Elza, de Eryk Rocha.
- Melhor curta-metragem: Santo, de Maria Luísa Alves.
- Melhor direção de ficção: Gabriel Martins, por Vicentina Pede Desculpas.
- Melhor direção de documentário: Camila Valença, por Cão Sem Plumas.
- Melhor ator: Victor di Marco, por London.
- Melhor atriz: Isabel Teixeira, por Diário do Fogo, e Grace Passô, por A Professora de Francês.
- Melhor ator coadjuvante: Pedro Goifman, por A Professora de Francês.
- Melhor atriz coadjuvante: Renna Costa, Artia e Ísis Broken, por A Margem do Rio.
- Melhor roteiro: Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins.
- Melhor fotografia: Luciana Baseggio, por A Margem do Rio.
- Melhor direção de arte: Ana Paula Cardoso, por Funk.
- Melhor figurino: Samy Sill, por London.
- Melhor som: Moabe Filho, Guma Farias, Daniel Turini e João Victor Coura, por A Margem do Rio.
- Melhor trilha sonora original: Florencia Di Concilio, por A Professora de Francês.
- Prêmio Especial do Júri: O Filho da Puta, de Erica Maradona, Tania Anaya, Otto Guerra e Sávio Leite.
Voto popular
- Melhor longa-metragem de ficção: Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins.
- Melhor longa-metragem documentário: Fui Olhar Você Dormir, de Anna Azevedo.


