CCJ do Senado aprova PEC da Segurança Pública em etapa crucial para novos avanços na área
Senado avança na aprovação da PEC da Segurança Pública, que propõe penas mais severas para facções e estabelece um novo pacto federativo na área


A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado finalizou, nesta quarta-feira (14), a votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que visa fortalecer a Segurança Pública no Brasil.

Com isso, a proposta agora segue para apreciação no plenário do Senado. Caso seja aprovada sem alterações, a PEC 18 de 2025 será promulgada, uma vez que já recebeu aval na Câmara dos Deputados.
De autoria do Poder Executivo, a PEC propõe penas mais rigorosas e regimes de prisão mais severos para líderes de facções e milícias, além de estabelecer um novo pacto federativo entre União, estados e municípios para o combate ao crime no país.
Essa iniciativa é uma prioridade do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que manifestou a intenção de criar um ministério dedicado à segurança pública após a aprovação da PEC.
No início de setembro, o texto base da proposta foi aprovado, mas ainda pendia a votação de três destaques que poderiam alterar algumas disposições. Contudo, esses requerimentos não foram analisados devido à ausência dos senadores Carlos Portinho (PL-RJ) e Alessandro Vieira (MDB-SE) na sessão.
Otto Alencar (PSD-BA), presidente da CCJ, esclareceu que, com a falta dos autores dos destaques, os pedidos ficaram prejudicados conforme o Artigo 300 do regimento interno do Senado. “Não tendo solicitado a palavra o autor do destaque para encaminhamento, ficam prejudicados os destaques”, declarou.
Alencar também informou que conversou com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), com vistas a levar a votação ao plenário antes do segundo turno das eleições, agendadas para 25 de outubro. “Pelo que o Davi me falou ontem, nós temos condição de aprovar a PEC ainda nesse período antes do segundo turno. Vamos trabalhar por isso, para que a matéria possa ser promulgada e o presidente [Lula] possa criar o Ministério da Segurança Pública do país”, ressaltou.
A PEC em Detalhes
Entre as principais novidades, a PEC sugere a constitucionalização do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), alterando o Artigo 144 da Constituição. A proposta estipula que a segurança deve ser exercida “em regime de cooperação federativa” e “por meio da atuação integrada e descentralizada” das diversas instituições envolvidas.
“Art. 144-A. Os órgãos de segurança pública articular-se-ão em regime de cooperação federativa, por meio do Sistema Único de Segurança Pública, destinado a assegurar a eficiência da prevenção, da persecução e da execução penal”, consta no texto.
Enfrentando Facções e Milícias
A proposta prevê, ainda, penas mais rigorosas e regimes especiais de detenção para os líderes de facções e milícias, incluindo a possibilidade de prisão em unidades de segurança máxima e limitações à progressão de penas.
Adicionalmente, serão implementadas medidas patrimoniais contra os produtos do crime, responsabilização de pessoas jurídicas envolvidas nas atividades criminosas, além da proteção a denunciantes e seus familiares.
Outra inovação trazida pela PEC é a possibilidade de criação de polícias municipais civis, que estarão sob o controle externo do Ministério Público, com a responsabilidade de realizar policiamento ostensivo e comunitário nas áreas onde atuam.
Ainda, a proposta expande as atribuições da Polícia Rodoviária Federal (PRF), prevê a formação de polícias municipais e aumenta a vinculação orçamentária destinada à segurança pública.
Financiamento da Segurança
Segundo a PEC, metade dos recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) será transferida pela União aos estados e municípios. Essa medida ocorre sem considerar as despesas de custeio e investimento da polícia penitenciária nacional do Funpen.
“As regras de financiamento fortalecem o FNSP e o Funpen, criam vinculações e blindagens orçamentárias e garantem repasses obrigatórios. Essas medidas aumentam a previsibilidade financeira, assegurando a continuidade das ações policiais”, destacou o relator.
Além disso, a PEC estabelece que 10% do superávit financeiro anual do Fundo Social, vinculado ao pré-sal, seja destinado aos fundos da segurança, reforçando o financiamento contínuo das políticas públicas de segurança e execução penal.
Por fim, a proposta prevê a criação do Sistema de Políticas Penais, responsável pela administração do sistema prisional brasileiro, e autoriza a atuação conjunta da União, estados e municípios na legislação de segurança pública, na estruturação de polícias, guardas municipais e sistema socioeducativo.



