Quarto réu do caso Mãe Bernadete é condenado a 23 anos de prisão em júri popular
Sérgio Ferreira de Jesus é condenado por homicídio qualificado no caso do assassinato da líder quilombola Mãe Bernadete em Salvador


O tribunal do Júri da Comarca de Salvador condenou Sérgio Ferreira de Jesus a 23 anos e nove meses de prisão por seu papel no assassinato da líder quilombola e ialorixá Maria Bernadete Pacífico Moreira, conhecida como Mãe Bernadete. Com essa decisão, ele se torna o quarto réu condenado no caso.
A sentença foi proferida nesta quarta-feira (21), considerando o crime de homicídio qualificado, evidenciado por motivos torpes, a utilização de meios cruéis, a impossibilidade de defesa da vítima e a utilização de arma de fogo proibida.
De acordo com as investigações, Sérgio foi um dos planejadores do assassinato, responsável por traçar a rota até o local do crime e por ter ficado com o celular de Mãe Bernadete, que foi subtraído durante a ação.
Os outros condenados no caso incluem Arielson da Conceição dos Santos, que recebeu uma pena de 40 anos, cinco meses e 22 dias; Josevan Dionísio dos Santos, conhecido como BZ ou Buzuin, cuja condenação foi de 28 anos; e Marílio dos Santos, condenado a 29 anos e nove meses. Infelizmente, Marílio faleceu dois dias após o julgamento.
O crime brutal
Maria Bernadete foi cruelmente assassinada em 17 de agosto de 2023, em sua residência no Quilombo Pitanga dos Palmares, localizado em Simões Filho, na Bahia. Os agressores invadiram a casa onde ela estava acompanhada de seus netos e dispararam 25 vezes em sua direção.
Segundo a acusação, o assassinato foi motivado pela luta de Mãe Bernadete contra a expansão do tráfico de drogas na comunidade, um tema que merece atenção redobrada nas discussões sobre segurança e direitos humanos.
Uma voz respeitada
Mãe Bernadete, além de ialorixá, era uma líder comunitária admirada mundialmente pela defesa dos direitos dos povos quilombolas. Ela ocupou o cargo de secretária de Políticas de Promoção da Igualdade Racial em Simões Filho.
Nos últimos anos, a líder denunciou diversas ameaças de morte que recebia, evidenciando o clima de insegurança que permeava sua luta. Desde 2017, Mãe Bernadete ainda busca justiça pelo assassinato de seu filho, Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, conhecido como Binho do Quilombo, um crime que permanece sem resolução até o momento.



