Cubatão

Candidatos disputam apoio em debate na Globo com trocas de acusações e propostas contundentes

Lula e Flávio Bolsonaro se confrontam em debate na Globo com perguntas incisivas sobre políticas sociais, saúde e economia, intensificando a disputa eleitoral

O debate entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), transmitido pela TV Globo, esquentou quando o atual presidente rebatou uma declaração provocativa do adversário. Flávio afirmou que Lula “dá com uma mão e tira com nove dedos”, uma referência que o presidente considerou pessoal e ofensiva, especialmente por causa de sua história de vida. Lula perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em um acidente de trabalho aos 17 anos, e não hesitou em expressar sua indignação durante a discussão.

“Ele disse uma grande asneira e eu não vou levar para casa. Se tem alguém que sabe o que é o mundo do trabalho sou eu. Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos! Você vai ter que pedir desculpa, porque o povo trabalhador está vendo”, declarou Lula, enfatizando sua vivência e as dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores brasileiros.

Após a provocação, Flávio Bolsonaro rapidamente se desculpou. “Lula, se eu te ofendi, eu te peço desculpa de verdade. Não queria te ofender”, afirmou ele. O debate continuou, com Flávio mudando o foco e questionando Lula sobre as condições de vida dos moradores de rua: “Quero saber se você vai pedir desculpas aos moradores de rua que aumentaram diante do seu governo”, questionou, referindo-se ao crescimento da população nessa situação, conforme dados do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua.

Os números, que indicam 365,8 mil pessoas em situação de rua em dezembro de 2025, apontam um aumento de 55% em relação a 2022, desmentindo a alegação de Flávio de um aumento de 100%. Pesquisadores sugerem que esse crescimento pode se atrelado a metodologias de contagem mais abrangentes.

Políticas sociais

No decorrer do embate, Lula também desafiou Flávio sobre seu voto contra a ampliação da licença-maternidade quando atuava como deputado estadual no Rio de Janeiro. Flávio admitiu que estava errado e justificou sua mudança de posição: “Hoje, depois que eu casei, sei da importância da mãe estar perto do filho”.

Apesar da admissão, Lula criticou a defesa de Flávio e destacou como o senador tratou o Bolsa Família nas redes sociais, onde se referiu ao programa de assistência como “bolsa-farelo”. “Isso é desrespeito com o povo pobre desse país”, afirmou Lula.

Flávio, por sua vez, garantiu que, se eleito, manteria e ampliaria os benefícios sociais, incluindo o Bolsa Família.

Endividamento

Outros temas relevantes do debate incluíram o endividamento das famílias brasileiras. Flávio desafiou Lula sobre as altas taxas de juros e a escalada da dívida pública, atribuindo os problemas econômicos à gestão atual. “Lula, por que você está deixando as famílias tão endividadas?”, questionou o senador, mencionando uma dívida de R$ 11 trilhões, em referência à Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) do Brasil.

O presidente respondeu que a questão é complexa e está ligada às políticas do Banco Central, ressaltando que um crescimento econômico sólido é essencial para a diminuição da dívida. Lula ainda informou que já encaminhou ao Senado uma proposta para renegociar dívidas, envolvendo uma operação de R$ 15 bilhões que beneficiará 4,5 milhões de pessoas.

Sistema Único de Saúde (SUS)

No bloco referente à saúde, Lula questionou Flávio sobre declarações que insinuariam falta de investimento no Sistema Único de Saúde. O atual presidente criticou a gestão da pandemia sob o governo Bolsonaro e mencionou as mortes ocasionadas pela Covid-19, ressaltando que o SUS foi crucial para minimizar o impacto da doença.

“Como você quer melhorar a saúde do país negando o plano de saúde mais importante?”, soltou Lula, referindo-se ao SUS e ao legado deixado pela gestão anterior.

Flávio Bolsonaro garantiu que, se eleito, ampliaria os investimentos no SUS, mas também criticou a gestão atual, mencionando as filas de espera e a corrupção. “A tesourada vai ser na corrupção do atual governo e na burocracia”, disse, enfatizando a necessidade de maior eficiência no sistema de saúde.

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