Vereadora do PT sofre ataque em carreata em Montes Claros
Vereadora Iara Pimentel é agredida durante carreata em Montes Claros, destacando a escalada da violência política nas eleições 2023


A luta pela democracia no Brasil tem enfrentado um momento de tensão e violência política, especialmente durante este segundo turno das eleições. Em Montes Claros, Minas Gerais, a vereadora Iara Pimentel (PT) sofreu um ataque durante um ato político na noite de ontem, sendo atingida no rosto por um objeto. A vereadora precisou ser socorrida por uma ambulância do Samu após o carro de som que utilizava ser alvo de garrafas e tijolos.
Em sua declaração após o incidente, Iara Pimentel condenou a agressão e ressaltou que atos de violência não têm espaço na democracia. “A liberdade de manifestação política deve ser preservada”, defendeu, cobrando “investigação rigorosa, apuração dos fatos e responsabilização dos envolvidos”. Ela enfatizou ainda que nenhuma divergência política justifica a agressão: “Pensar diferente é um direito. A violência política é uma ameaça à democracia”, afirmou.
A gravidade do ocorrido também recebeu apoio da deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG), que classificou a agressão a Iara como “inadmissível”. Ela reiterou que “a democracia não combina com pedras, ameaças e agressões” e manifestou solidariedade à vereadora e às vítimas do ataque, clamando por responsabilização.
Vale ressaltar que Ana Elisa compartilhou anteriormente sua própria experiência de violência política e teve que desativar sua conta nas redes sociais após enfrentar ameaças de morte e de estupro, recebendo ataques frequentes. Ela relatou que estas ameaças continham conteúdos racistas e misóginos, levando-a a solicitar proteção da Polícia Civil de Minas Gerais e a ser incluída no Programa Estadual de Proteção de Minas Gerais.
Após exercer seu direito ao voto em São Bernardo do Campo (SP), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abordou a crescente violência política e enfatizou a importância do respeito à diversidade de opiniões. “A coisa mais sagrada na democracia é a convivência democrática na diversidade”, declarou, citando o ataque à vereadora de Minas Gerais. “Os vizinhos não precisam torcer para o mesmo time, não precisam ter o mesmo candidato, mas não devem brigar. Se cada um aprender a respeitar o direito dos outros, a fé dos outros, a gente exerce a democracia na sua plenitude”, completou.
Ameaças a servidores da Justiça Eleitoral
Além dos episódios de violência política, surgem relatos preocupantes de intimidações direcionadas a servidores da Justiça Eleitoral. A Federação Nacional dos Trabalhadores e das Trabalhadoras do Judiciário Federal e Ministério Público da União (Fenajufe) emitiu uma nota de repúdio, manifestando preocupação com as ameaças que se intensificaram desde o primeiro turno das eleições e exigindo a responsabilização dos perpetradores.
A União Brasileira de Mulheres do Distrito Federal (UBM-DF) também denunciou um ataque recente à sua presidenta, Maria das Neves Filha, e à presidenta da Mocidade do Gama, Edilamar Melo. O incidente ocorreu durante uma atividade de panfletagem em frente ao CEMI-Gama, onde um homem, identificado como um policial militar aposentado, arremessou uma mesa e derrubou materiais da atividade, tudo registrado em vídeo. A UBM-DF informou que tomou as medidas legais necessárias e enfatizou a importância de não naturalizar a violência política de gênero.



