Lula classifica de “ato vergonhoso” a fuga de Flávio Bolsonaro durante investigação
Lula critica a fuga de Flávio Bolsonaro para os EUA em meio a investigações, acusando-o de agir como quem deve algo à Justiça


A fuga do senador Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, após a derrota nas eleições presidenciais, gerou uma forte reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que a qualificou como um “ato vergonhoso”. Durante um evento em celebração ao seu aniversário, realizado nesta terça-feira (27) no Palácio da Alvorada, Lula manifestou sua indignação e afirmou que Flávio está em débito com a Justiça. 

“O cidadão que sai escondido do seu país é porque deve alguma coisa”, afirmou Lula, reforçando sua crítica ao não cumprimento das obrigações legais por parte do senador.
“Esse ato de sair do Brasil é vergonhoso. Ele deveria ter entregue o passaporte. A Polícia Federal já devia suspeitar que ele sairia do Brasil, ele tem inquérito”, acrescentou o presidente.
Em um tom de desabafo, Lula recordou sua própria experiência ao se entregar à Polícia Federal em 2018, após ser condenado e preso. “Resolvi me entregar na Polícia Federal porque queria desmascarar meus acusadores e provar minha inocência”, disse ele, mencionando os 580 dias que passou encarcerado antes de ser libertado em novembro de 2019.
“E estou aqui sendo reeleito para mais um mandato por conta de vocês. Por isso eu digo a vocês, quem não deve, não teme”, finalizou Lula, em um apelo à transparência e à responsabilidade.
Vale lembrar que, em 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou os processos do ex-juiz Sergio Moro, que havia conduzido a investigação contra Lula, após reconhecer a parcialidade do magistrado. Atualmente, Moro é governador eleito pelo PL, partido de Flávio Bolsonaro.
Fuga e Consequências
A confirmação da chegada de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos foi impulsionada por uma publicação do ex-secretário de Turismo do México, Simón Levy, que atribuiu a articulação à ajuda do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
A fuga de Flávio, que ocorreu menos de 48 horas após a sua derrota eleitoral, também foi corroborada pela agência de notícias Reuters.
Importante notar que, segundo informações, o senador não entregou seus passaportes à Polícia Federal (PF), em cumprimento a uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Flávio Bolsonaro, junto a seu amigo e advogado Willer Tomaz, é alvo de investigações que envolvem suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas online, além de outro inquérito sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, que narra a trajetória de seu pai.



