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Governo Federal intervém em 45 ocorrências de violência política durante o 2º turno das eleições

Governo intensifica investigações em resposta a 45 episódios de violência política, incluindo 10 homicídios, registrados no segundo turno das eleições

O governo federal intensificará as investigações sobre a onda de violência política que tomou conta do país após as eleições do último final de semana. Foram registrados 45 incidentes, incluindo 10 homicídios, associados à intolerância política, mais um triste reflexo das tensões eleitorais no Brasil.

Os episódios de violência ocorreram entre os dias 24 e 25 de outubro, logo após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições. As informações foram divulgadas nesta quarta-feira (28) pelo ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos, durante uma coletiva de imprensa que contou com a participação de representantes do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

“A impunidade não será tolerada. É inaceitável que a disputa eleitoral sirva de justificativa para crimes e agressões. Em uma democracia, é natural que haja ganhadores e perdedores, mas isso não pode legitimar assassinatos”, assegurou Boulos.

As estatísticas divulgadas pelo governo revelam um panorama alarmante:

  • 10 vítimas fatais de atos violentos, incluindo três indígenas;
  • sete casos de atropelamentos intencionais;
  • 14 agressões físicas, que variam de espancamentos a esfaqueamentos;
  • cinco incidentes envolvendo disparos e atentados com armas de fogo;
  • cinco casos de violência e coerção direcionada a povos indígenas;
  • seis registros de abusos de autoridade e violência policial.

De acordo com Boulos, todas as vítimas são apoiadores de Lula, enquanto os autores das agressões pertencem ao grupo de Flávio Bolsonaro. Os estados com maior número de ocorrências incluem Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Santa Catarina.

Para enfrentar esse cenário, o governo anunciou a abertura de inquéritos pela Polícia Federal (PF) que investigarão crimes eleitorais e de violência política de gênero, além de violações de direitos humanos. As denúncias também serão encaminhadas à Procuradoria Geral da República (PGR) e às corregedorias das Polícias Militares e Civis, especialmente quando houver envolvimento de policiais.

O secretário-executivo do MJSP, Ademar Borges, explicou que as investigações abordarão uma variedade de crimes, desde eleitorais até casos de racismo e violência física. “Estamos apurando todas as denúncias, e já existem dezenas de inquéritos em andamento”, afirmou Borges.

A pasta também se comprometeu a combater a violência no ambiente digital, conforme estipulado pelo Marco Civil da Internet. A legislação exige que plataformas de redes sociais removam imediatamente conteúdos que promovam crimes graves, como violência contra a mulher e discursos de ódio.

Casos de Violência Política em Destaque

Entre os incidentes mais alarmantes, destaca-se o ataque à vereadora de Montes Claros (MG), Iara Pimentel (PT), que foi atingida no rosto por um objeto durante um ato político, resultando em perda de consciência e sua remoção em ambulância. O carro de som em que se encontrava foi alvo de um ataque perpetrado por apoiadores de Bolsonaro.

Outro caso trágico ocorreu com Eliseu Pedrozo dos Santos, de 38 anos, que faleceu após ser atropelado no dia seguinte às comemorações da vitória de Lula. Conforme noticiado pela Gazeta do Paraná, um motorista embriagado avançou contra um bloqueio policial, atingindo quatro homens. A vítima sofreu traumatismo craniano grave, e o teste de bafômetro do motorista indicou 0,67 mg de álcool por litro de ar expelido.

Em Curitiba, Renata Kempf, uma pesquisadora, foi detida durante uma celebração em prol de Lula, resultando em denúncias de uso excessivo da força policial.

A Polícia Civil também investiga a morte do engenheiro Marcelo de Oliveira da Rocha, de 30 anos, em Santos, que foi espancado após deixar um ato de apoio a Lula. O caso está sendo tratado como latrocínio, com a motivação política ainda a ser confirmada.

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