Consumo Familiar Cresce 2,7% em 2023, Revela Relatório da Abras
Consumo familiar no Brasil continua em trajetória de crescimento, impulsionado por fatores como a queda da taxa de desemprego e isenção de impostos na cesta básica


O consumo nos lares brasileiros apresentou um crescimento de 2,70% entre janeiro e setembro de 2023, conforme balanço da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Esse percentual se mantém praticamente estável em relação aos 2,71% acumulados até agosto.

Em setembro, a comparação com o mesmo mês do ano passado revelou uma alta de 0,59%. No entanto, em relação ao mês anterior, houve uma queda de 1,46%, marcando o fim de dois meses consecutivos de crescimento, após aumentos de 3,01% em julho e 2,21% em agosto. Em setembro de 2024 e 2025, os meses também registraram quedas de 1,30% e 0,94%, respectivamente.
Esses dados, que consideram todos os formatos de supermercados, de pequenos estabelecimentos a grandes redes, foram ajustados segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE.
Perspectivas de Consumo
Marcio Milan, vice-presidente da Abras, aponta que apesar do atual cenário econômico, onde as famílias enfrentam a necessidade de equilibrar o consumo com outras despesas, a trajetória de consumo se mantém positiva. “O resultado acumulado até setembro mostra a continuidade desse movimento”, avalia.
Milan destaca que os indicadores do mercado de trabalho são promissores, com uma taxa de desocupação de 5,3% no trimestre encerrado em agosto. A população ocupada alcançou 103,5 milhões, o maior número já registrado.
“O rendimento médio real habitual de todos os trabalhos atingiu R$ 3.777, com um crescimento de 3,7% em relação ao mesmo período de 2022. A massa de rendimento real habitual chegou a R$ 385,6 bilhões, também um recorde, com um aumento de 4,8% na comparação anual, equivalente a R$ 17,5 bilhões a mais”, afirmou.
Milan lembrou ainda do impacto do Bolsa Família, que destinou R$ 13,04 bilhões para aproximadamente 19,3 milhões de famílias em setembro. Além disso, o Conselho da Justiça Federal liberou R$ 3,22 bilhões para Tribunais Regionais Federais, promovendo pagamentos de Requisições de Pequeno Valor (RPVs) para mais de 278 mil beneficiários, sem contar as 521,9 mil restituições do Imposto de Renda pagas no mesmo mês.
Implicações Fiscais
Um ponto destacado por Milan foi a isenção de impostos sobre a cesta básica, abrangendo uma variedade maior de itens, incluindo proteínas como carne e peixe, o que deve fomentar a continuidade do consumo.
Contudo, ele manifestou preocupação com as novas taxas de impostos que poderão ser anunciadas no início da nova gestão, enfatizando o risco de que isso onere outros produtos da cesta de alimentação e consumo. “Existem também preocupações com o endividamento das famílias e as medidas que o governo pode adotar sobre isso”, disse.
Além disso, o vice-presidente da Abras ressaltou a importância da manutenção da proibição das apostas, que contribuíram para o aumento do consumo. Dados recentes mostram que as vendas de alimentos cresceram 6,5% entre 5 e 11 de outubro de 2023, e 6,3% entre 12 e 18 de outubro, em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Milan mencionou também mudanças na legislação trabalhista, como o fim da jornada de trabalho 6X1 e a redução na carga horária. “Durante a pandemia, os supermercados desempenharam um papel essencial. Contudo, modificações legais que afetam toda a cadeia de abastecimento geram preocupações sobre a organização do sistema como um todo”, concluiu.



