Cubatão

Oposição israelense busca apoio árabe para desafiar governo Netanyahu

Oposição israelense tenta formar coalizão com partidos árabes para destituir Netanyahu após eleições sem vencedores claros.

A contagem dos votos em Israel culminou em um cenário político indefinido, sem um vencedor claro, onde a oposição a Benjamin Netanyahu enfrenta o desafio de formar uma maioria decisiva em meio à necessidade de apoio de partidos árabes.

Nesta sexta-feira (30), a Comissão Eleitoral Central de Israel divulgou os resultados definitivos da eleição para o Knesset, o Parlamento israelense, composto por 120 cadeiras. Para a formação de um governo, é necessário obter pelo menos 61 cadeiras.

O partido Likud, de Netanyahu, liderou a corrida, recebendo 20% dos votos e conquistando 27 cadeiras. A coalizão governista assegurou um total de 53 cadeiras, ainda assim oito a menos do que o necessário para estabelecer um governo estável.

Em contrapartida, a oposição somou 67 cadeiras, sendo 19 dessas pertencentes a partidos árabes — o Raam e a Lista Conjunta, que representam cerca de 21% da população israelense, majoritariamente palestinos-israelenses.

Os principais partidos de oposição judaicos, por sua vez, conseguiram 48 cadeiras. Contudo, estão divididos quanto à ideia de formar uma coalizão com os partidos árabes. O Yashar, de Gadi Eisenkot, garantiu 21 cadeiras, enquanto o B’Yachad ficou com 12. A resistência à inserção árabe na formação do governo impede o avanço da oposição.

Desafios para a Oposição

Esse impasse beneficia diretamente Netanyahu, que permanece no cargo até que um novo acordo de maioria seja alcançado. Shajar Goldwaser, pesquisador do Grupo de Estudos sobre Conflitos (GECI) da PUC de São Paulo, afirma que é provável que os partidos de oposição enfrentem a necessidade de quebrar promessas para permitir a formação de um governo, uma vez que se comprometeram tanto a não se aliar a Netanyahu quanto a não incluir partidos árabes.

“A resistência é clara; não querem, por exemplo, admitir um ministro da educação palestino. Um governo que integre esses partidos seria visto como um avanço para os palestinos, sugerindo que o voto deles tem relevância. Esse é um temor presente em muitos israelenses, que se preocupam com a influência política que isso poderia representar”, analisa Goldwaser.

Mudanças no Cenário Político

De acordo com a emissora N12 News de Israel, o Yisrael Beytenu, partido opositor liderado por Avigdor Liberman, já está discutindo uma possível aliança com Netanyahu para evitar uma coalizão com os partidos árabes. O Yisrael Beytenu conquistou sete cadeiras, e uma união com o Likud deixaria o primeiro-ministro a apenas uma cadeira de garantir sua permanência.

Netanyahu, por sua vez, fez declarações infundadas acusando Turquia e Catar de influenciar os votos dos palestinos-israelenses, que tiveram uma surpreendente participação de mais de 80%, a maior da história. Ele tem classificado o resultado como “fraude” e defende que é “inadmissível” formar um governo com partidos árabes.

Gadi Eisenkot, líder do partido mais votado da oposição, respondeu a essas declarações, afirmando que o Likud e Netanyahu estão orquestrando uma campanha de deslegitimação dos resultados eleitorais.

“Eles estão fazendo isso porque não têm maioria. Essa estratégia é um reflexo da sua perda”, afirmou Eisenkot, que também prometeu investigar a resposta do governo ao ataque do Hamas em 7 de outubro, no qual 1,2 mil pessoas foram mortas e cerca de 200 feitas reféns.

O especialista Goldwaser destacou ainda que há especulações na mídia israelense sobre a possibilidade de Netanyahu reiniciar um conflito contra o Irã como uma estratégia para garantir apoio na formação de uma coalizão de unidade nacional. “Historicamente, Netanyahu não hesita em utilizar guerras para fins eleitorais”, conclui.

Contexto das Eleições

Com uma base de 7,3 milhões de eleitores, Israel foi às urnas esta semana pela primeira vez desde o devastador ataque do Hamas, que teve repercussões dramáticas no país e na Faixa de Gaza. Em resposta, Israel lançou uma ofensiva militar em Gaza, resultando na morte de mais de 75 mil pessoas e na destruição massiva da infraestrutura civil da região.

A operação é considerada por muitos como um genocídio, e membros do governo Netanyahu têm defendido a emigração dos palestinos e a colonização israelense do território.

Além disso, o país tem se envolvido em conflitos com o Líbano e ataques na Síria, assim como tensões contínuas com o Irã, frequentemente em colaboração com os Estados Unidos.

Na Cisjordânia, a construção de assentamentos ilegais ganhou força, complicando ainda mais o já tenso cenário político e social.

 

 

Mostrar mais

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo