Dólar encerra a semana em R$ 5,44, alcançando a maior alta desde 2008
Dólar atinge maior alta desde 2008 com valorização de 9,15% na semana, enquanto bolsa enfrenta a pior queda desde março de 2020


O mercado financeiro brasileiro enfrentou um mês conturbado, concluindo outubro com a pressão de um dólar em alta e uma bolsa de valores em queda. Nesta sexta-feira (30), a moeda americana encerrou o dia com valorização de cerca de 1%, alcançando quase R$ 5,45, enquanto o Ibovespa registrou um recuo de 0,75%, fechando aos 167,9 mil pontos.

No decorrer da semana, o dólar acumulou uma impressionante valorização superior a 9%, a maior desde a crise financeira global de 2008. O Ibovespa, por sua vez, teve a sua pior performance semanal desde março de 2020, época que coincide com o início da pandemia de covid-19.
Os movimentos do mercado foram influenciados pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelas incertezas que permeiam a política fiscal brasileira. Em âmbito internacional, a forte desvalorização das ações do setor tecnológico também lançou sombras sobre o desempenho das bolsas ao redor do mundo.
Números do dia
- Dólar à vista: R$ 5,446 (+1,09%);
- Máxima do dólar no dia: R$ 5,463, às 16h;
- Ibovespa: 167.921,80 pontos (-0,75%);
- Dólar na semana: +9,15%;
- Ibovespa na semana: -18,12%;
- Dólar em outubro: +5,27%;
- Ibovespa em outubro: -9,88%.
Câmbio
O dólar comercial fechou a sexta-feira em alta de 1,09%, cotado a R$ 5,446, marcando o valor mais alto de fechamento desde 2026. Durante o dia, a moeda chegou a atingir R$ 5,463, antes de recuar um pouco.
A semana que se seguiu ao segundo turno das eleições presidenciais viu o dólar acumular uma alta de 9,15%, o que representa a valorização semanal mais significativa desde outubro de 2008, durante a crise financeira internacional.
Em outubro, a moeda americana avançou 5,27%, somando uma valorização de 0,81% no ano.
Parte da instabilidade observada no início do pregão está relacionada à formação da Ptax, taxa de referência do Banco Central utilizada na liquidação de contratos futuros de câmbio. A pressão sobre o real também foi reforçada pela reavaliação das posições dos investidores após as eleições, à medida que se esperam definições sobre a nova equipe econômica e medidas a serem adotadas em relação às contas públicas.
Além disso, a busca por proteção cambial antes do feriado de Finados, que será celebrado na próxima segunda-feira (2), intensificou ainda mais a procura pela moeda americana. No cenário internacional, o dólar se valorizou em relação a outras moedas de países emergentes, em meio a um dia de turbulências no setor de tecnologia.
Bolsa acumula perdas
O Ibovespa fechou a sexta-feira com um recuo de 0,75%, totalizando 167.921,80 pontos. Este resultado representa o quinto pregão consecutivo de baixa do principal índice da bolsa brasileira.
Na semana, o índice acumulou uma desvalorização de 18,12%, a maior desde março de 2020, quando registrou uma queda de 18,88% devido aos impactos iniciais da pandemia de covid-19.
O desempenho mensal foi igualmente negativo. Em outubro, o Ibovespa caiu 9,88%, a pior performance desde junho de 2022, que teve uma redução de 11,5%.
A pressão sobre os ativos brasileiros aumentou após a reeleição de Lula. No primeiro pregão após o resultado da eleição, na segunda-feira (26), o índice acionou o circuit breaker, mecanismo que interrompe as negociações em caso de perdas expressivas.
Além disso, a saída de recursos estrangeiros também pesou sobre os ativos ao longo da semana, com dados da B3 mostrando uma retirada líquida de quase R$ 7,6 bilhões do mercado secundário de ações em apenas três pregões.
Cenário externo
Em meio às incertezas locais, o mercado brasileiro observou um ambiente internacional desfavorável, marcado pela cautela dos investidores em relação ao setor de tecnologia nos Estados Unidos, bem como as perspectivas sobre a inflação e a taxa de juros globais.
Na bolsa de Nova York, o índice S&P 500 registrou uma queda de 1,82%, refletindo as preocupações com os resultados de gigantes da tecnologia e seus investimentos em inteligência artificial.
No mercado cambial, o índice do dólar, que avalia a performance da moeda americana em relação a uma cesta de seis divisas fortes, registrava leve alta de 0,01%, cotado a 101,890 pontos, às 17h31.
*Com informações da Reuters



