Baleias-jubarte: Turismo de observação impulsiona esforços de conservação e preservação
Turismo de observação de baleias-jubarte na Bahia favorece conservação da espécie e fortalece economia local, transformando a vida de pescadores em empreendedores


O marineiro Paulo Salomão, de 41 anos, trilhou um caminho de transformação que o levou de uma criança que enjoava no mar a respeitado capitão de um barco de pesquisa do Projeto Baleia Jubarte. Hoje, ele é uma figura central no turismo de observação de baleias no Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, na Bahia, que se tornou um vibrante ponto de atração para amantes da natureza e da biodiversidade.
Desde os 6 anos, Salomão acompanhava o pai em suas idas ao mar, em Ponta de Areia, um dos distritos pesqueiros de Caravelas (BA). O amor pelo ambiente marinho superou os desafios das ondas que o faziam sentir-se mal. Aos 18 anos, Salomão se formou piloto de embarcação, mas já enfrentava as mudanças trazidas pela criação do Parque Marinho dos Abrolhos em 1983, que proibiu a pesca na região. Para driblar essa limitação, ele apostou no turismo, transportando visitantes e ensinando mergulho.
Seu primeiro barco, o Teimoso, simboliza sua determinação. Hoje, Paulo administrada quatro embarcações, incluindo uma capaz de acomodar 50 pessoas, e emprega dez trabalhadores. “O crescimento do meu negócio veio principalmente com a observação das baleias”, revela Salomão, referindo-se à temporada de observação que atrai milhares de turistas todos os anos, especialmente em agosto, quando os gigantes do mar migram para cá para se reproduzir.
Um Refúgio das Jubartes
O Arquipélago dos Abrolhos é considerado uma das maiores maternidades das baleias-jubarte, que percorrem até 4 mil quilômetros desde a Antártica em busca das águas quentes do sul da Bahia. Este fenômeno provocou um crescimento econômico notável nas cidades costeiras, como Caravelas, onde o turismo de observação se tornou um importante vetor de desenvolvimento local.
“Muitas pessoas mudaram de profissão para se tornarem marinheiros e trabalhar na área”, destaca Salomão, observando o impacto positivo na economia local. A temporada de baleias não só duplica a renda para quem atua no turismo, mas também amplia a circulação de dinheiro na região.
O aumento da população de jubartes, que saltou de menos de 2 mil indivíduos na década de 1990 para cerca de 35 mil em 2022, é resultado de várias iniciativas de proteção, como a proibição da caça em 1987 e a conservação de seu habitat. O Instituto Baleia Jubarte, fundado em 1988, desempenha um papel fundamental na preservação da espécie.
Turismo Consciente
Eduardo Camargo, diretor executivo do Instituto, destaca que o turismo de observação é uma eficaz ferramenta de preservação que agrega valor econômico às jubartes vivas, permitindo uma convivência harmônica entre os humanos e os cetáceos. Ele ressalta a importância de regulamentar esta atividade de forma a não afetar o ciclo de vida das baleias, enquanto atende aos interesses das comunidades locais.
Os operadores de turismo devem respeitar normas rigorosas estabelecidas pela Marinha e pelo Ministério do Meio Ambiente, incluindo restrições de distância e tempo de aproximação das baleias.
Uma Experiência Transformadora
Para muitos visitantes, a chance de observar uma jubarte em seu habitat é uma experiência inesquecível. A mineira Deise Gomes Valente lembra a emoção ao ver sua primeira baleia. “Quando ela apareceu, meu olho encheu de água. É algo incrível, mais autêntico do que visitar um aquário”, descreve.
Assim como Deise, a paulista Karina Moraes, após enfrentar uma longa viagem de barco, ficou maravilhada ao avistar as baleias. “Foi um perrengue, mas quando vimos uma nadadeira levantada, tudo valeu a pena”, afirma, confirmando o fascínio que os gigantes do mar exercem sobre os seres humanos.
O Papel das Baleias na Ecologia
O Instituto Baleia Jubarte também atua na sensibilização da população sobre a importância das jubartes para o equilíbrio do ecossistema marinho. “Elas ajudam a fertilizar as águas, o que beneficia a biodiversidade local”, explica Milton Marcondes, Diretor de Pesquisa do Instituto. Estimativas indicam que essas baleias geram um impacto econômico de mais de US$ 82 bilhões por seus serviços ecológicos e o turismo associado.
Em um mundo cada vez mais consciente da necessidade de proteger a natureza, as jubartes se tornam um símbolo da luta por um futuro mais sustentável.
*Repórter e repórter fotográfica viajaram a Abrolhos e Caravelas a convite da Petrobras


