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Memórias e Emoções Marcam Visitas ao Campo da Esperança em Brasília

Visitantes expressam saudade e realizam homenagens no Campo da Esperança durante as celebrações do Dia de Finados em Brasília

No Dia de Finados, o Cemitério Campo da Esperança, em Brasília, se torna um ponto de encontro para familiares que buscam homenagear seus entes queridos. Entre os visitantes, Gorete Nascimento, de 71 anos, chegou ao cemitério logo pela manhã, após uma viagem de 47 quilômetros desde Cidade Ocidental, Goiás, onde vive. Armando-se com flores e produtos de limpeza, ela se dedica a deixar a lápide da família impecável, ritual que mantém há 32 anos.

Com carinho, Gorete compartilha a história de seus pais e irmãs, algumas das quais sepultadas ali. Em especial, recorda da irmã Angelita, que faria 86 anos no próximo dia 6 de novembro. A saudade é palpável, especialmente pela despedida que não pôde ter durante a pandemia.

“Venho aqui sempre no dia de Finados e também no aniversário de cada um porque sinto muita saudade deles. E para homenagear minha irmã, que também nunca deixava de vir aqui nessa data”, disse Gorete.


Brasília (DF) 02/11/2026 Amigos e familiares lotam o cemitério Campo da Esperança para prestar homenagens e dedicar orações aos entes queridos enterrados no local. A aposentada Neuza Maria fala com a Agência Brasil. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Brasília (DF) 02/11/2026 Amigos e familiares lotam o cemitério Campo da Esperança para prestar homenagens e dedicar orações aos entes queridos enterrados no local. A aposentada Neuza Maria fala com a Agência Brasil. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A aposentada Neuza Maria visita o Campo da Esperança – Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Na mesma atmosfera de lembrança e respeito, Neuza Maria Nora também encontrou um espaço para a reflexão e a oração. Os túmulos dos sogros, que se localizam na ala mais nova do cemitério, exigem uma estética mais simples, com placas discretas. Para Neuza, a visita representou uma oportunidade de relembrar a efemeridade da vida.

“Eu gosto de vir aqui e me lembrar que rico ou pobre, todos vamos terminar no mesmo lugar. Acho que as pessoas deveriam vir mais ao cemitério”, afirmou.


Brasília (DF) 02/11/2026 Amigos e familiares lotam o cemitério Campo da Esperança para prestar homenagens e dedicar orações aos entes queridos enterrados no local. A pensionista Ana Maria Soares, acompanhada dos filhos Priscila e Marcelo Soares, fala com a Agência Brasil. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Brasília (DF) 02/11/2026 Amigos e familiares lotam o cemitério Campo da Esperança para prestar homenagens e dedicar orações aos entes queridos enterrados no local. A pensionista Ana Maria Soares, acompanhada dos filhos Priscila e Marcelo Soares, fala com a Agência Brasil. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A pensionista Ana Maria Soares, acompanhada dos filhos Priscila e Marcelo Soares – Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Marcelo Oliveira é outro que também se faz presente com flores na mão, desta vez em homenagem ao pai. Ele costuma visitar o cemitério diversas vezes ao longo do ano, buscando se conectar com lembranças que ao longo do tempo se tornam ainda mais valiosas. Hoje, ele trouxe a mãe e a irmã, enquanto o irmão mais velho ficou em casa, sem conseguir enfrentar a carga emocional.

“Ele nunca vem, diz que não consegue, fica muito emocionado”, contou Marcelo.

Uma Tradição Secular

A tradição do Dia de Finados, celebrado em 2 de novembro, tem raízes que remontam à influência dos portugueses católicos no Brasil. A origem da data é atribuída ao monge beneditino Odilo de Cluny, que no ano 998 instituiu um dia para que todos rezassem pelas almas dos falecidos, logo após a Festa de Todos os Santos.

Embora a data tenha uma origem católica, também é lembrada por cristãos protestantes e pelas religiões de matriz africana, como o candomblé e a umbanda, que realizam rituais em homenagem a seus ancestrais entre 1º e 2 de novembro. O Dia de Finados foi oficialmente reconhecido como feriado nacional em dezembro de 2002, através da Lei 10.607/2002, proposta pela então deputada federal Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM).

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