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Voluntariado transforma vidas e promove saúde mental para vulneráveis

Psicólogos voluntários promovem saúde mental em comunidades afetadas por crises, oferecendo apoio a vítimas de traumas e aumentando a rede de apoio emocional

No Dia Nacional do Voluntariado, celebrado nesta sexta-feira (28), a psicóloga Esly Carvalho, com 45 anos de experiência e atuação em Brasília, decidiu se dedicar a causas humanitárias, oferecendo apoio a vítimas de traumas em situações de desastres. Com o objetivo de transformar vidas, tanto de quem recebe ajuda quanto de quem oferece, Esly se especializa em intervenções para pessoas afetadas por estresse pós-traumático.

Ela utiliza a terapia EMDR, conhecida por desbloquear memórias dolorosas, e já desenvolveu programas de intervenção na Venezuela, onde mais de 6 mil pessoas perderam a vida num terremoto em junho. “Formamos mais de 100 profissionais para atender mais de 500 pessoas”, relata Esly, que também coordena atendimentos online com a equipe na Venezuela, disponibilizando sessões gratuitas todas as quintas-feiras.

Dentre os profissionais treinados, a psicoterapeuta Deglya Flores, de 59 anos, que vive em Caracas, destaca a utilidade das videoconferências. “O resultado foi maravilhoso porque muitos de nós estávamos altamente perturbados”, diz ela, que se sentiu impactada pelo desastre. Na Venezuela, apenas 17 terapeutas são especializados em tratamento de traumas.

A equipe, além de atender venezuelanos, também auxilia vítimas de terremotos na Colômbia e realiza atendimentos em acampamentos da região de La Guaira, a mais afetada pelo desastre.

Outra iniciativa é o projeto Help, que começou em 2017 com um grupo de seis amigos em São Paulo e agora conta com 7 mil voluntários em todo o Brasil. Os envolvidos, com histórias de superação de depressão, amarravam mensagens de ajuda em pontes e viadutos. “Colocávamos nosso número de telefone e as pessoas entravam em contato”, lembra Felipe Santos, coordenador nacional do projeto.

Os voluntários do Help realizam palestras em escolas e atendem em espaços públicos, em atividades conocidas como “cantinho do desabafo”. Este ano, o atendimento na estação de trem de Francisco Morato focou em jovens, que têm buscado mais ajuda devido à crescente ansiedade e depressão provocadas por questões tecnológicas e apostas online.

Em Brasília, o militar da Marinha, Thiago Domingos, se tornou voluntário após ser tocado por casos de suicídio entre jovens nas Forças Armadas. “Nosso projeto trabalha com prevenção e tenta ajudar os que não têm recursos para consultas com psicólogos”, afirma. Nos últimos anos, a equipe atendeu cerca de 5 mil pessoas na capital federal, com 15 psicólogos voluntários atuando regularmente.

Juliana Cei, psicóloga e voluntária, reforça a importância do projeto, destacando que a crise de saúde mental tem criado uma epidemia de solidão, especialmente entre os jovens. “Os jovens adoram cuidar das redes sociais, mas não têm tempo de convivência de qualidade com os familiares”, observa.

Lucas Hedler, psicólogo de Brasília, também se dedica a ajudar pessoas trans, criando grupos de apoio para que compartilhem suas inseguranças. Ele lamenta o ambiente familiar mais inseguro que muitos enfrentam e está em busca de iniciar mais projetos de atendimento para essa comunidade, especialmente após o impacto da pandemia.

Para quem busca atendimento de saúde mental, há recursos gratuitos disponíveis, como o CVV (Centro de Valorização da Vida), que pode ser contatado pelo telefone 188, além da Rede de Atenção Psicossocial do SUS e os Alcoólicos Anônimos.

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