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Calila das Mercês lança romance e destaca literatura do interior no Fliparacatu

Escritora Calila das Mercês lança seu romance Nódoa durante o Fliparacatu, promovendo a valorização da literatura regional do interior do Brasil

A quarta edição do Festival Literário de Paracatu, que acontece de 26 a 30 de agosto de 2026 no Centro Histórico da cidade mineira, será curada pela escritora, pesquisadora e jornalista Calila das Mercês, ao lado de Sérgio Abranches e Afonso Borges, idealizador e presidente do evento. Este ano, o festival, que terá entrada gratuita, terá como tema Sertão em Nós: Meu Lugar no Mundo, que promoverá um diálogo sobre as contribuições de dois pensadores fundamentais da literatura brasileira: Milton Santos e João Guimarães Rosa.

Calila das Mercês expressou sua conexão pessoal com os trabalhos de Guimarães Rosa, descrevendo Grande Sertão: Veredas como “fabuloso” e revelando que Campo Geral, publicado em 1956, a levou a uma grande emoção. “Estamos homenageando também Milton Santos, que trouxe discussões importantes sobre o nosso lugar no território brasileiro, sem engessá-lo”, destacou a curadora.

A escritora, que já participou de eventos literários em Cachoeira (BA) e Cavalcante (GO), enfatiza a importância da realização de festivais no interior do Brasil, embora manifeste preocupação com o risco de que essas festas se tornem palanques políticos. Ela defende um enfoque respeitoso em relação à produção literária local e considera que Paracatu é um espaço que também gera pensamento crítico e identidade.

O festival reunirá nomes como Mia Couto, Alê Santos, Bruna Lombardi, Eliana Alves Cruz, Jeferson Tenório, Jeovanna Vieira, Paulliny Tort e Renato Nogueira, promovendo diálogos enriquecedores entre diferentes culturas e sotaques.

Calila, que lançou recentemente seu primeiro romance, Nódoa, pela Companhia das Letras, fala sobre seu processo criativo, que ocorreu em movimento, transitando entre diferentes espaços e situações. “Escrevi dentro do ônibus, em uma rodoviária e em meio a mudanças de casa. É um livro que reflete o movimento constante”, explicou.

O romance narra a história de duas personagens, Regina e Lurdes Maria, cujas vidas estão interligadas, apesar das diversas situações que enfrentam. Calila também inovou na forma de escrita, utilizando recursos gráficos para refletir as características de suas personagens, como a que não sabe ler ou a que fala em voz baixa, e assim dimensionar a oralidade e o silêncio em suas narrativas.

A escritora relaciona o conceito de “nódoa” à ideia de marcas e memórias, enfatizando que essas “manchas” representam momentos significativos da vida. “Às vezes, uma nódoa lembra um suco que caiu na roupa, trazendo à tona memórias de pessoas amadas. Elas mancham, mas também são importantes”, concluiu.

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