

Os governos do Brasil e dos Estados Unidos retomam, nesta segunda-feira (31), as negociações comerciais após a aplicação, por parte da Casa Branca, de uma tarifa de 25% sobre algumas importações brasileiras, implementada no final de julho.
A retomada das conversas se dá após uma ligação entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump em 21 de agosto, durante a qual Lula reiterou a posição do Brasil de que as tarifas são infundadas. Trump, por sua vez, propôs reiniciar as discussões entre as equipes dos dois países.
Além da tarifa de 25%, o Brasil enfrentou uma nova imposição de 12,5% sob a justificativa de supostas falhas no combate ao trabalho forçado. Essa mesma justificativa foi utilizada pelos EUA para taxar um total de 59 países e a União Europeia.
O governo brasileiro acredita que a justificativa para essa nova tarifa foi criada como uma forma de contornar a decisão da Suprema Corte dos EUA, que anulou tarifas anteriores em fevereiro. De acordo com Brasília, essa é uma nova tentativa do governo Trump de justificar tarifas que já haviam sido derrubadas judicialmente.
Para a tarifa de 25%, a administração Trump se baseou em uma investigação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), que alega que o Brasil adota práticas comerciais desleais, especialmente em relação a pagamentos eletrônicos, como o Pix, e ao acesso ao mercado de etanol.
O governo brasileiro contesta a validade dessas justificativas, argumentando que a tarifa tem motivações políticas. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que os negociadores dos EUA estavam exigindo a abertura total do mercado brasileiro sem oferecer contrapartidas.
A imposição de tarifas por parte do governo Trump ocorre em um contexto de busca pela reafirmação da “proeminência” dos EUA na América Latina, principalmente em face do crescimento da influência econômica da China na região. Brasília também vê isso como uma tentativa de influenciar as eleições gerais de outubro no Brasil.



