Mostra no CineSesc destaca o documentário de Vincent Carelli sobre indígenas
Documentário de Vincent Carelli exibe a importância do projeto Vídeo nas Aldeias na preservação da memória e cultura indígena brasileira


O CineSesc, em São Paulo, exibirá nesta quinta-feira (10), às 20h, o documentário Arquivo Vivo, dirigido por Vincent Carelli e Ana Carvalho. A apresentação faz parte da programação do festival Amor ao Cinema e destaca a importância do projeto Vídeo nas Aldeias, que reúne um acervo de mais de 70 filmes sobre povos indígenas brasileiros.
Vincent Carelli, cineasta franco-brasileiro, teve seu primeiro contato com as comunidades indígenas durante a adolescência. Influenciado por um missionário dominicano, ele começou a acompanhar o religioso em viagens ao Pará, onde conheceu os Mẽbengôkre Xikrin. Carelli recorda a emoção de sua primeira experiência em uma aldeia, descrevendo-a como um momento marcante em sua vida.
Após concluir uma formação em indigenismo, Carelli foi convidado a permanecer na aldeia, mas a ditadura militar impediu sua atuação junto ao movimento indígena. Na década de 1970, ele trabalhou na Fundação Nacional do Índio (Funai) e cofundou o Centro de Trabalho Indigenista (CTI), onde se uniu a outros antropólogos para desenvolver iniciativas voltadas para os povos indígenas.
Naquele período, Carelli e Andrea Tonacci idealizaram um projeto para o Guggenheim, o Inter Povos, que visava utilizar o vídeo como uma ferramenta de conexão entre as comunidades indígenas. A partir de 1986, Carelli, junto com sua esposa, a antropóloga Virgínia Valadão, fundou oficialmente o projeto Vídeo nas Aldeias, que se manteve ativo até mesmo durante a pandemia de covid-19, especialmente em um contexto de descaso governamental para com os povos indígenas, segundo Carelli.
O documentário Arquivo Vivo aborda temas como a apropriação da imagem e a memória, aspectos considerados cruciais para a identidade e a continuidade cultural dos povos indígenas. Carelli questiona a autonomia das instituições do Estado brasileiro sob a orientação indígena e ressalta a importância do acesso das comunidades às suas imagens e histórias.
O documentário tem duração de 2h17min e é classificado como livre.
Serviço:
Festival Amor ao Cinema | CineSesc
Arquivo Vivo
Duração: 2h17min (137’)
Classificação Indicativa: Livre
Direção: Vincent Carelli e Ana Carvalho
País: Brasil
Ano: 2026



