Desmatamento no Cerrado cai 19% em um ano, revela Inpe
Desmatamento no Cerrado registra queda significativa de 19% em um ano, mas aumento na Amazônia gera preocupações sobre o controle ambiental


Nesta sexta-feira (11), Dia do Cerrado, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) anunciou uma queda de 18,9% nos alertas de desmatamento no bioma em agosto, em comparação ao mesmo mês de 2022. Em termos absolutos, o Cerrado perdeu 238 quilômetros quadrados de vegetação nativa, ante 294 km² no ano passado, marcando o segundo melhor resultado para agosto desde o início da série histórica em 2018.
Cláudio de Almeida, coordenador do Programa de Monitoramento da Amazônia e demais Biomas do Inpe, destacou que a redução constante nos últimos três anos é resultado do esforço conjunto entre o governo federal e os estaduais para mitigar o desmatamento. “Os dados trimestrais também mostram essa tendência de queda”, afirmou Almeida.
Enquanto os números do Cerrado foram positivos, a Amazônia registrou um aumento de 12,1% na área desmatada em agosto, passando de 319 km² em 2022 para 358 km² este ano. No entanto, o trimestre de junho a agosto apresentou um resultado melhor do que no ano passado, sendo o segundo melhor para o período na série histórica.
Em entrevista à Agência Brasil, Almeida expressou preocupação com o aumento do desmatamento na Amazônia. “É importante monitorar constantemente para evitar picos de desmatamento”, alertou. O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, que participou da divulgação dos resultados, também comemorou a queda no Cerrado, mas manifestou apreensão em relação ao aumento no desmatamento amazônico, especialmente no Pará, onde as ações de fiscalização foram suspensas.
Capobianco enfatizou que, apesar de um mês isolado não ser um indicador definitivo de tendência, o aumento no Pará requer atenção. “Estamos reorganizando as ações federais para reverter os aumentos observados”, disse o ministro.
Na mesma data, o ministro assinou duas portarias. A primeira regulamenta o pagamento por serviços ambientais e a segunda cria as Áreas Prioritárias de Recarga Hídrica no Bioma Cerrado (Aprhic), que definirão regiões para esforços de conservação e restauração. Yuri Salmona, diretor executivo do Instituto Cerrados, explicou que a portaria reconhece a importância das áreas de recarga para a segurança hídrica, especialmente em períodos de seca.
A nova regulamentação visa transformar conhecimento científico em diretrizes para políticas públicas, facilitando a gestão e proteção desses espaços. A plataforma lançada hoje permitirá visualizar as áreas prioritárias do Cerrado, disponibilizada no site https://aprhc.cerrados.org/.
“Essa ferramenta vai transformar dados científicos em inteligência espacial para a tomada de decisões”, concluiu Salmona.



