

Em 14 de setembro de 1981, a jornalista Mara Régia di Perna, então com 30 anos, estreou como âncora do programa que criou, o Viva Maria, na Rádio Nacional. Marcada por ansiedade e expectativa, Mara relembrou: “Eu estava em uma tremedeira e rouca. Sabia da responsabilidade que iria significar.”
Hoje, a Rádio Nacional celebra os 45 anos do programa com o lançamento de uma série de 14 podcasts, que conta a história do programa, reconhecido internacionalmente por sua abordagem sobre cidadania, gênero e direitos humanos. Desde sua criação, o Viva Maria já veiculou 8,2 mil edições.
O programa não apenas impactou o público, mas também chamou a atenção de acadêmicos, resultando em pelo menos 30 estudos sobre sua influência. Mara destaca que o programa surgiu em um período crucial para os direitos das mulheres, com a promulgação da Constituição. Ela também esteve envolvida na entrega da Carta das Mulheres aos Constituintes, um marco histórico com reivindicações feministas.
Os temas abordados ao longo dos anos incluíram mercado de trabalho, direitos sociais, saúde e educação, com especial atenção à violência contra a mulher, inspirada pela experiência pessoal de Mara, que viu sua mãe ser vítima de violência doméstica.
As pressões promovidas pelo Viva Maria contribuíram para a criação da primeira delegacia especial de atendimento à mulher em Brasília, em 1986. Apesar das ameaças que recebeu posteriormente, Mara manteve seu compromisso e enfrentou as dificuldades. “Nunca pensei em desistir. Eu tinha que conseguir construir as políticas”, afirmou.
O Viva Maria ganhou a confiança de ouvintes mulheres em todo o Brasil, que ao longo dos anos tornaram-se multiplicadoras de histórias e esperanças. O programa, que se refiere afetuosamente às mulheres participantes como “Marias”, é marcado por uma interação ativa com o público, que se manifesta através de telefonemas, cartas e e-mails.
Reconhecido com mais de 30 prêmios nacionais e internacionais, o programa também se destacou em diversas causas sociais. Mara se envolveu em ações como a arrecadação de perucas para vítimas de escalpelamento e apoiou mulheres em suas jornadas pessoais, como a professora Rosinete Serrão, que após receber atenção do programa, conseguiu retomar seus estudos e se formar em pedagogia.
O Viva Maria também deu voz a parteiras no Acre, como Maria Zenaide Carvalho, que ressaltou a importância da comunicação via rádio em suas comunidades. A trabalhadora rural Kennya Silva, inspirada pelo programa, conseguiu transformar sua vida ao voltar a estudar, demonstrando o impacto social e educacional do programa.



