

Um ataque à loja de artigos religiosos católicos no centro de Fortaleza deixou a comunidade local alarmada. Na madrugada de 9 de setembro, um cartaz na fachada dizia: “Se reabrir, todos morrem”, após a loja ter sido atingida por um atentado com coquetel molotov. Na mesma noite, outros dois estabelecimentos católicos e uma loja de umbanda também foram incendiados na capital cearense.
A Polícia Civil investiga os atentados. No dia seguinte, o Padre Josileudo Queiroz, da Igreja de São José Operário de Caucaia, comentou em suas redes sociais sobre o incidente, descrevendo-o como um “crime de intolerância religiosa”. Ele reforçou que o Brasil é um país laico, com diversas expressões de fé.
Os ataques em Fortaleza não são isolados. No dia anterior, em Londrina (PR), a cabeça de uma imagem de Nossa Senhora Aparecida foi arrancada, e, em Salvador, houve destruição de imagens religiosas, incluindo a de Nossa Senhora das Graças e a de Santa Dulce dos Pobres. Em resposta a essa onda de ataques, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou que a Polícia Federal investigue as agressões a símbolos católicos em todo o país.
Os casos de intolerância religiosa são alarmantes. Segundo dados do Disque 100, de janeiro a junho de 2026, foram registradas 1.252 denúncias relacionadas à liberdade de crença. Embora os católicos não sejam os principais alvos, as denúncias entre essa comunidade aumentaram de 15 para 34 no primeiro semestre, um crescimento superior a 100%. Praticantes de candomblé e umbanda são historicamente as principais vítimas, com 270 denúncias registradas no mesmo período, representando um aumento de mais de 40% em relação ao ano anterior.
Durante a Semana Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, Rudelmar Faria, secretário-geral da ACT Alliance, destacou que a religião está sendo usada como uma ferramenta política de exclusão em um contexto global, afetando grupos marginalizados, incluindo mulheres e a população LGBTI+.
A recente controvérsia na campanha eleitoral brasileira sobre o título de padroeira do Brasil para Nossa Senhora Aparecida gerou intensa discussão nas redes sociais, culminando em ações judiciais para restringir a disseminação de informações falsas. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a retirada de postagens relacionadas ao assunto, uma medida que envolveu diversas decisões judiciais.
O defensor público do Ceará, Igor Barreto, esclareceu que os crimes de intolerância religiosa são graves e imprescritíveis, podendo ser processados a qualquer momento. No Brasil, as penas variam de um a cinco anos de reclusão, além de multa.
* Com a colaboração de Márcia Vieira, da Rádio Universitária FM de Fortaleza.



