

Neste domingo de eleições, Alexandre Prudente, cadeirante, enfrentou um verdadeiro teste de resistência para votar na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), localizada no Maracanã, Zona Norte do Rio. Acessar a urna se revelou uma aventura cheia de contratempos, em meio a um aumento significativo no número de eleitores com deficiência, que alcançou quase 2 milhões, o maior registro na história da Justiça Eleitoral.
Acompanhado de familiares, Alexandre optou por votar no mesmo local da eleição anterior, mas a jornada até a seção eleitoral foi mais complicada do que imaginava. Após subir três lances de rampas e um elevador até o oitavo andar, ele descobriu que sua seção havia sido transferida novamente.
“Fui deslocado da Igreja Metodista [em Vila Isabel] para a Uerj e, chegando lá, soube que o meu local tinha sido mudado de volta para a Metodista”, lamentou Alexandre, que não conseguiu verificar as informações atualizadas antes de sair de casa. Após descer todas as rampas, ele se dirigiu de carro até a Igreja Metodista, a 1,5 quilômetro da Uerj. Na igreja, encarou longas filas e, mesmo tendo prioridade, precisou esperar por uma hora até conseguir exercer seu direito ao voto.
“Nunca demorei tanto para votar. Na outra eleição, foi muito mais rápido”, refletiu o eleitor, que, ao final, conseguiu registrar seu voto.
O aumento no número de eleitores com deficiência, que subiu de 1,3 milhão em 2022 para 1,9 milhão, levou a Justiça Eleitoral a ampliar a acessibilidade nos colégios eleitorais, contabilizando 220,5 mil seções adaptadas, em contraste com as 156,2 mil que estavam disponíveis anteriormente. O objetivo é garantir maior autonomia a esses eleitores, sendo que 617 mil apresentam dificuldades de locomoção, enquanto 319 mil têm deficiência visual, 182 mil com deficiência auditiva e 64 mil que relataram dificuldades específicas durante o voto. A categoria “Outros” abrange 994.472 registros.
Desafios na acessibilidade
Aos 77 anos, Isaura dos Santos também se viu em apuros no Colégio Estadual Senor Abravanel, na Zona Sul do Rio. Com dificuldades de locomoção, ela precisou subir escadas para votar. “Não tem elevador, e tudo isso no escuro, com lâmpadas apagadas. Como pode uma situação dessas?”, criticou, ressaltando que sempre comparece para votar, mas as melhorias parecem não chegar.
Na mesma seção, a atriz Isabela Quadros acompanhou sua mãe, Maria Lídia Gomes de Matos, de 85 anos, que possui limitações devido a um acidente vascular cerebral. Apesar das adversidades, Maria Lídia não abriu mão de seu direito e, com a ajuda de pessoas no local, conseguiu votar, agradecendo especialmente ao apoio da mesária.
Esforços da Justiça Eleitoral
A Justiça Eleitoral já reconhecia os desafios de acessibilidade antes da votação. Em comunicado, o órgão afirmou que muitos imóveis utilizados são de redes públicas de ensino ou instituições parceiras, cuja infraestrutura pode variar. Para isso, tribunais regionais eleitorais (TREs) realizam vistorias periódicas nas seções para garantir as condições adequadas.
Eleitores com deficiência têm prioridade assegurada e podem optar por levar um acompanhante à cabine, mesmo sem solicitação prévia. O acompanhamento deve ser de uma pessoa maior de idade e que não atue na Justiça Eleitoral, partidos ou coligações. Para atender às necessidades de inclusão, as urnas são equipadas com teclados em braile e dispositivos de áudio que orientam o eleitor sobre como votar, sendo permitido apenas o uso de fones fornecidos pela Justiça Eleitoral.



