EconomiaEleiçõesGaragem AZMundoPolíticaTrabalho

Imprensa Internacional Destaca Aprovação do Fim da 6×1 com Vitória de Lula

A votação que extinguiu a escala 6x1 e reduziu a jornada de trabalho foi vista como um triunfo de Lula na corrida eleitoral brasileira

A recente aprovação no Senado do Brasil para abolir a escala 6×1, reduzindo a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, está repercutindo de forma significativa na imprensa internacional. Este movimento é visto como uma estratégia política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um momento crucial, a poucos dias do segundo turno das eleições. A votação, realizada na quarta-feira (14), foi acompanhada com interesse por diversos veículos de comunicação, que destacaram a relevância da mudança para a classe trabalhadora brasileira.

O El País, por exemplo, destacou que “dezenas de milhões de trabalhadores conquistam um segundo dia livre no Brasil, uma vitória política para Lula”. O jornal argentino Clarín também abordou o tema, qualificando a aprovação como uma “jogada política de Lula”, enquanto La Nación, na Argentina, chamou a votação de “a grande aposta de Lula antes do segundo turno”. Este último ainda observou a mudança de postura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que declarou seu apoio à proposta apenas 48 horas antes da votação.

O Financial Times, destacado por sua cobertura econômica, mencionou que “legisladores brasileiros votaram para abolir uma semana de trabalho de seis dias na maior economia da América Latina”, ressaltando que essa mudança alinha o Brasil a nações de renda mais alta. O jornal também noticiou as críticas de grupos empresariais que veem um aumento nos custos como conseqüência da nova legislação.

“Terminar a semana de trabalho de seis dias alinhará o Brasil com muitas nações de renda mais alta, onde as horas de trabalho diminuíram à medida que a produtividade e a eficiência melhoraram”, definiu o Financial Times.

O jornal britânico The Guardian informou que a nova legislação pode impactar até 30 milhões de brasileiros, destacando que o movimento por essa mudança teve início em uma campanha no TikTok chamada “Vida Além do Trabalho”, liderada por um farmacêutico que acabou entrando na política. O apoio de Lula ao movimento foi fundamental para sua recepção e eventual aprovação.

Mudança de posição na oposição

Além disso, a cobertura da imprensa internacional lembrou que Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula no segundo turno, inicialmente se opôs à emenda à constituição (PEC) que aboliu a escala 6×1. No entanto, ele mudou de posição, indicando apoio a uma proposta alternativa que há muito tempo defendia, na qual o pagamento se basearia nas horas efetivamente trabalhadas.

A Associated Press destacou que o único voto contrário à PEC veio do ex-vice-presidente Hamilton Mourão, que atuou durante o governo de Jair Bolsonaro. A agência também mencionou que aliados de Flávio Bolsonaro optaram por não bloquear a medida popular para não prejudicar sua disputa contra Lula.

Aprovação no Senado

A PEC foi aprovada pelo Senado com um placar expressivo de 75 votos a favor e apenas um contra. A mudança na postura da oposição se deu após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pautar a questão em plenário.

Em uma entrevista à TV Jovem Pan, o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que, se eleito, Flávio Bolsonaro buscará implementar um contrato “por hora trabalhada”, em contraste com a nova legislação.

Entenda a PEC

A PEC que encerra a escala 6×1 garante um descanso remunerado obrigatório de dois dias por semana, estabelece uma jornada máxima de 5×2 sem redução salarial e reduz a carga horária de 44 para 40 horas semanais. A transição será gradual, com um prazo total de 14 meses.

Para mais detalhes sobre a mudança, veja >> esta matéria.

Após 60 dias da promulgação da emenda, as empresas deverão adotar a nova escala de 5×2 e reduzir a jornada máxima para 42 horas semanais, com a mudança total para 40 horas ocorrendo após mais 12 meses.

Mostrar mais

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo