Propostas de Flávio Bolsonaro e Lula para o setor esportivo em destaque
Propostas de Flávio Bolsonaro e Lula trazem visões distintas para o setor esportivo, destacando infraestrutura e o papel do esporte feminino na política pública


No embate entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo cargo de presidente, o esporte se destaca como elemento central nas propostas de governo dos candidatos. Ambos reconhecem a importância da relação entre esporte e educação, mas as divergências se acentuam nas estratégias relacionadas à infraestrutura e, especialmente, no enfoque dado ao esporte feminino.
Uma das únicas menções ao esporte feminino por parte de Flávio Bolsonaro é a proposta de exclusão de atletas transexuais, o que chama atenção em um ano em que o Brasil sediará a Copa do Mundo de Futebol Feminino pela primeira vez na América do Sul.
Bolsonaro ainda ignora a valorização do programa Bolsa Atleta, que em 2026 teve seus valores reajustados e atingiu um recorde de 11 mil beneficiados, abrangendo categorias que vão do infantil ao olímpico. Em seu programa, o candidato do PL sugere apenas a melhoria das bolsas para atletas de alto rendimento, em parceria com a iniciativa privada.
Por outro lado, o plano de Lula propõe uma ampliação das políticas estruturais do esporte, destacando investimentos em infraestrutura, como a construção de arenas por meio do Programa de Aceleração de Crescimento (Novo PAC), e o reconhecimento do papel cultural e econômico do desporto.
As mulheres são apresentadas como protagonistas nas propostas de Lula, incluindo investimentos para garantir o sucesso da Copa do Mundo de Futebol Feminino em oito capitais brasileiras, ressaltando também seu potencial turístico.
>> Confira abaixo os planos de governança de ambos os candidatos:
Cidadania e esporte
Enquanto ambos os candidatos relacionam o esporte à cidadania, suas abordagens divergem. Flávio Bolsonaro vê o esporte como uma ferramenta para a educação e segurança dos jovens, descrevendo-o como uma “tecnologia social” para ajudar no desenvolvimento pessoal. “Preparar uma família para a vida envolve o esporte, que tira o jovem da rua e ensina o que a sala de aula não consegue”, afirma seu programa.
Na perspectiva de Lula, o esporte é igualmente importante, mas é visto como um vetor de transformação social e expressão da cultura brasileira, destinado a promover o desenvolvimento humano e a inclusão social. O candidato do PT coloca o esporte entre as indústrias criativas, postulando que ele é fundamental para a economia e deve ser priorizado em um próximo mandato.
“Queremos um país que reconheça o esporte como uma força estratégica do desenvolvimento nacional, capaz de gerar trabalho, renda e qualidade de vida em todos os territórios brasileiros”, destaca o documento petista.
Esporte e educação
Bolsonaro enfatiza a conexão entre esporte e ensino, propondo a abertura das escolas durante os recessos para atividades esportivas. Apresenta o programa “Escola nas Férias” como uma estratégia para manter as crianças ocupadas, mas sem detalhes sobre sua implementação.
Em seu discurso, o candidato enfatiza o esporte como um meio para desenvolver habilidades como disciplina e trabalho em equipe, proporcionando oportunidades reais e promovendo saúde mental entre os jovens.
Por sua vez, Lula não faz uma ligação explícita entre as políticas esportivas e o ambiente escolar, mas propõe a criação da Universidade do Esporte, uma instituição aprovada na Câmara que visa estabelecer uma rede nacional de pesquisa e inovação no setor esportivo, além de melhorar a gestão esportiva em diversas esferas.
Gestão de equipamentos
O atual presidente ressaltou suas ações no último mandato, mencionando a construção de centros esportivos em centenas de municípios e a criação da Universidade do Esporte como exemplos de seu comprometimento com o tema. Seu plano também menciona a importância da continuidade dos investimentos em equipamentos esportivos.
Lula defende a gestão direta de equipamentos esportivos, enfatizando parcerias com estados, municípios e ONGs, e adota uma visão crítica em relação às privatizações, reservando-as a setores que exigem significativa concentração de capital.
Nesse contexto, Flávio Bolsonaro propõe uma maior colaboração com o setor privado para fomentar o esporte de alto rendimento, com iniciativas que incluem editais para promover tecnologia e ciência de dados nos clubes. Ele também pretende organizar competições escolares como forma de evitar a evasão e repetência entre estudantes.



