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Agência Lupa revela que quase 90% dos conteúdos virais sobre saúde são falsos

Relatório da Agência Lupa evidencia que a desinformação na saúde atinge 87,3% dos conteúdos virais, expondo os riscos de informações falsas na pandemia

A Agência Lupa, pioneira na checagem de informações no Brasil, revelou que 87,3% dos conteúdos virais sobre saúde, analisados entre março de 2017 e junho de 2023, são falsos. O dado, que integra um estudo abrangente de 764 materiais checados, destaca uma preocupação crescente com a desinformação em saúde durante os últimos anos. O relatório intitulado Raio-X da Desinformação em Saúde foi desenvolvido com o apoio do grupo Afya, um dos maiores em educação médica no país.

O estudo revelou uma média alarmante de quase 72 informações falsas sendo disseminadas a cada ano, o que equivale a cerca de seis casos mensais. Os conteúdos virais, definidos como aqueles que se espalham rapidamente pela internet, geram um alto nível de engajamento, incluindo visualizações, curtidas e compartilhamentos.

O cenário se intensificou durante a pandemia: entre 2020 e 2021, a Lupa analisou aproximadamente dez vezes mais conteúdos sobre saúde do que nos três anos anteriores, totalizando 452 checagens. Falsas autoridades se aproveitaram da situação, promovendo promessas de cura e soluções simplistas para questões complexas. Embora esse padrão já existisse antes da Covid-19, o volume de desinformação aumentou significativamente durante a crise sanitária.

A fundadora da Agência Lupa, Cristina Tardáguila, ressalta: “Um dos maiores desafios da desinformação em saúde é que ela se apropria da linguagem e da autoridade de médicos, pesquisadores e instituições para parecer legítima.”

Entre as estratégias utilizadas para disseminar informações falsas, destaca-se a utilização de figuras de autoridade médica, que corresponde a 21,6% dos casos. Medo e alarmismo são responsáveis por 17% das publicações enganosas, enquanto distorções de dados e soluções simplificadas também têm seu espaço, com 15,7% e 12,6%, respectivamente.

Gustavo Meirelles, vice-presidente Médico e de Relações Institucionais da Afya, observa: “Hoje, o profissional de saúde precisa estar preparado não apenas para diagnosticar e tratar, mas também para ajudar o paciente a navegar em um ambiente cheio de informações, muitas delas sem respaldo científico.”

Nos últimos nove anos, os temas mais abordados nas verificações da Lupa foram: Covid-19 (61%), tratamentos, cura e prevenção (34%), e alimentos, bebidas e nutrição (24%).

Desinformação sobre vacinas ainda persiste

Antes da pandemia, as checagens relacionadas a vacinas representavam 9,1% do total. Durante a emergência de saúde, esse número saltou para 33,2%, e entre 2022 e 2024, alcançou 38,9%. Atualmente, entre 2025 e junho de 2026, os conteúdos sobre vacinas caíram para 20%, mas esse índice ainda é mais que o dobro dos registros pré-pandemia. Das 244 alegações sobre vacinas analisadas ao longo desse período, 212 (86,9%) foram consideradas falsas pela Lupa.

Além disso, 142 dos conteúdos verificados contavam com a menção de figuras públicas, como Jair Bolsonaro, Bill Gates, Drauzio Varella, João Doria e Luiz Inácio Lula da Silva. Contudo, a agência enfatiza que a presença desses nomes não implica que tenham endossado as informações enganosas, mas que sua reputação é frequentemente utilizada para propagar desinformação.

Canais de circulação de desinformação

O WhatsApp foi identificado como a plataforma mais comum na propagação de desinformação em saúde, com mais de 70% das 498 checagens realizadas entre março de 2017 e junho de 2026 originadas de conteúdos encontrados nesse aplicativo. O Facebook ocupa o segundo lugar, com 25,3%, seguido pelo Instagram, que apresentou 7% dos casos.

Entretanto, a Lupa adverte que os dados não confirmam que o WhatsApp seja a fonte primária das desinformações ou que concentre a maioria dos conteúdos falsos sobre saúde. A agência recebe pedidos de verificação via um canal específico no app, o que pode contribuir para a identificação de publicações que circulam com maior frequência nessa plataforma. Além disso, uma única postagem pode ser compartilhada por diferentes redes antes de alcançar o público.

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