Governo francês proíbe protestos classificados como ilegítimos
Macron proíbe protestos ilegítimos e intensifica medidas de segurança após confrontos em várias cidades, visando proteger comerciantes e a ordem pública


Em resposta aos crescentes episódios de violência durante protestos na França, o presidente Emmanuel Macron anunciou nesta quinta-feira (22) a proibição de manifestações consideradas “ilegítimas”. A decisão foi tomada após uma reunião com representantes dos serviços de informações e integrantes do governo, visando evitar novos confrontos.
As manifestações organizadas por entidades como os sindicatos deverão, a partir de agora, seguir trajetos alternativos, como parte das medidas para proteger estabelecimentos comerciais que têm sido alvo de atos de vandalismo.
Macron ressaltou, em uma breve declaração de pouco mais de três minutos, que grupos de extrema-esquerda estão por trás dos recentes incidentes, que incluem roubos e tumultos em diversas cidades no último sábado (17). O presidente descreveu esses grupos como “sediciosos” e os acusou de tentativas de desestabilização do Estado.
“Tivemos, simultaneamente, atos políticos e até sediciosos, conduzidos por grupos organizados de ultraesquerda que visam derrubar a República”, afirmou o chefe de Estado francês durante seu discurso no Palácio do Eliseu.
A decisão chega em um momento crucial, com novas mobilizações previstas para o próximo sábado na França. O governo busca mitigar a pressão sobre a segurança pública após os confrontos registrados em 17 de outubro. Nos bastidores do poder em Paris, “firmeza” é o termo que ecoa com frequência.
No intuito de conter a violência, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu fez um apelo aos partidos políticos, pedindo que escolham entre “a violência e a República”, dirigindo críticas especialmente ao partido de extrema-esquerda A França Insubmissa, liderado por Jean-Luc Mélenchon. Lecornu também prometeu “transparência” sobre os desafios enfrentados na resposta aos tumultos do último fim de semana.
Com um balanço alarmante de cerca de 3 mil lojas afetadas por danos, os comerciantes expressam preocupação com os desdobramentos da mobilização marcada para este sábado. “A preocupação é máxima”, declarou Pierre Bosche, presidente da Confederação dos Comerciantes da França, em entrevista à agência France-Presse.
“A mão não deve tremer”
Para garantir a segurança durante os protestos futuros, as autoridades planejam um amplo dispositivo policial, que incluirá o uso de veículos blindados e diversas unidades de elite.
Conforme enfatizou Macron, “a mão não deve tremer no topo do Estado”.
Além disso, um recolher obrigatório foi reinstaurado na noite de quarta-feira (21) em várias cidades, resultando na detenção de pelo menos 174 pessoas.
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