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Plataforma pan-amazônica apresenta 232 iniciativas para impulsionar a bioeconomia na região

Plataforma Radar Bioecon busca integrar 232 iniciativas de bioeconomia na Pan-Amazônia e superar desafios como acesso a crédito e articulação entre países

Na busca por impulsionar a bioeconomia na Pan-Amazônia, a Rede Pan-Amazônica pela Bioeconomia lançará nesta quinta-feira (22) o Radar Bioecon, uma plataforma que centraliza informações sobre políticas e programas voltados ao uso sustentável da biodiversidade na região, que abrange nove países da América do Sul. A apresentação ocorrerá durante a 17ª Conferência das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (COP17), que está sendo realizada em Yerevan, na Armênia.

De acordo com dados coletados, há pelo menos 232 políticas públicas relacionadas à bioeconomia nesses países, que incluem Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela. Essas iniciativas, no entanto, enfrentam desafios significativos, como a falta de integração entre os governos, a dificuldade de acesso a crédito e barreiras na implementação efetiva de negócios.

A nova plataforma possibilitará a consulta e comparação das diversas iniciativas, buscando identificar experiências a serem compartilhadas e fomentar a cooperação regional. O mapeamento abrange desde estratégias nacionais de bioeconomia até mecanismos de crédito e incentivos à produção. A proposta visa melhorar a articulação entre os países e potencializar os benefícios econômicos que a bioeconomia pode oferecer.

Atualmente, na Amazônia Legal brasileira, produtos da sociobiodiversidade geram anualmente cerca de R$ 12 bilhões para o Produto Interno Bruto (PIB), segundo o estudo Nova Economia da Amazônia, liderado pelo WRI Brasil. Entre os produtos em destaque, estão o açaí e a castanha.

“Para que a bioeconomia se consolide como uma alternativa de desenvolvimento econômico para a Pan-Amazônia, precisamos tratá-la como uma agenda de Estado, com planejamento de longo prazo e continuidade das políticas públicas”, afirma Juliana Simões, co-líder do Grupo de Trabalho de Políticas Públicas da Rede Pan-Amazônica pela Bioeconomia.

Iniciativas dispersas e desafios de integração

O mapeamento revelou que as políticas estão dispersas entre diferentes órgãos governamentais e, muitas vezes, não são identificadas como bioeconomia. Dependendo do país, podem ser descritas como biocomércio, bionegócios ou economias indígenas e comunitárias.

No Brasil, destacam-se o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que abrem mercados para os produtores locais. Além disso, a Política de Garantia de Preços Mínimos para os Produtos da Sociobiodiversidade (PGPMBio) busca estabilizar a renda dos produtores ao estabelecer preços mínimos para 17 produtos extrativistas.

Na Colômbia, mecanismos de apoio a negócios sustentáveis foram mapeados, enquanto no Equador identificaram-se iniciativas de crédito para cooperativas e empreendimentos comunitários. Bruno Castro Lacerda, co-líder do grupo de trabalho da Rede Pan-Amazônica, destaca que a comparação entre as políticas ajuda a apontar lacunas e a inspirar experiências que podem ser replicadas em outros países.

“Essa visão regional é importante para fortalecer a cooperação entre os países e construir políticas que tenham continuidade no longo prazo”, conclui.

Desafios no financiamento

O acesso a recursos financeiros é uma barreira significativa para o desenvolvimento da bioeconomia na região. Um estudo da Rede Pan-Amazônica identificou 141 mecanismos de financiamento disponíveis, mas apenas 8,5% deles atendem à sociobiodiversidade.

Apesar da presença de fundos climáticos e linhas de crédito, a burocracia e as exigências de garantias dificultam o acesso a esses recursos por cooperativas e empreendimentos locais. O relatório recomenda a adaptação dos instrumentos financeiros às peculiaridades da produção amazônica e sugere uma maior integração entre as políticas econômicas, produtivas e ambientais.

Desenvolvido pelo Grupo de Trabalho de Políticas Públicas da Rede Pan-Amazônica pela Bioeconomia, o Radar Bioecon permitirá que os usuários sugiram atualizações e novas políticas, que passarão por um processo de curadoria. Esta iniciativa é a primeira etapa de um esforço contínuo para identificar falhas de implementação e promover a integração regional.

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