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Candidatos se enfrentam em debate na Globo com propostas e polêmicas

Lula e Flávio Bolsonaro trocam acusações e se defendem em debate acalorado na Globo, abordando temas como saúde, pobreza e endividamento das famílias

O debate transmitido pela TV Globo teve um momento de forte tensão entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) na noite desta terça-feira. A troca de farpas iniciou quando Flávio Bolsonaro fez a afirmação de que Lula “dá com uma mão e tira com nove dedos”, uma alusão à perda do dedo mínimo do presidente, ocorrido em 1964, quando ele trabalhava como torneiro mecânico. Essa declaração provocou uma reação imediata de Lula, que se mostrou indignado e exigiu desculpas.

“Ele disse uma grande asneira e eu não vou levar para casa. Ele me chamou de nove dedos. Se tem alguém que sabe o que é o mundo do trabalho sou eu”, reclamou Lula, que acrescentou: “Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos. Você vai ter que pedir desculpa. Porque o povo trabalhador está vendo.”

Após a provocação, Flávio Bolsonaro rapidamente pediu desculpas. “Lula, se eu te ofendi, eu te peço desculpa de verdade. Não queria te ofender”, afirmou. Contudo, logo em seguida, Flávio não hesitou em criticar o governo atual, questionando se Lula se desculparia com os moradores de rua que, segundo ele, aumentaram durante sua gestão. “E combate a pobreza esse que você faz?”, provocou o senador.

Dados do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua indicam que, em dezembro de 2025, cerca de 365,8 mil pessoas estavam em situação de rua, um aumento de 55% em relação a 2022, desmentindo a alegação de Flávio sobre um aumento de 100%.

Pesquisadores ressaltam que essa sinapse pode se dever a diferentes metodologias de contagem e à inclusão de novas categorias nos programas sociais, sem que isso reflita um aumento exponencial de novos casos.

Políticas sociais

No decorrer do debate, Lula também abordou o histórico de Flávio em relação a políticas sociais, indagando sobre seu voto contrário à ampliação da licença-maternidade, quando o senador era deputado estadual no Rio de Janeiro. Flávio admitiu que estava errado e que sua visão mudou após viver experiências pessoais. “Hoje, mais do que nunca, eu sei da importância da mãe estar perto do filho”, disse.

Lula não hesitou em criticar a posição do senador, rebatendo as postagens passadas de Flávio que ridicularizavam o Bolsa Família, como uma “bolsa-farelo”, e afirmou que isso demonstra uma falta de respeito com as pessoas de baixa renda.

Incrivelmente, Flávio reafirmou que, se eleito, pretende manter e expandir os benefícios sociais, incluindo o Bolsa Família.

Endividamento

Em uma rodada de perguntas sobre o endividamento das famílias no Brasil, Flávio responsabilizou o governo pelos altos juros e pela crescente dívida pública. Lula, por sua vez, defendeu que essa questão está atrelada às políticas de juros do Banco Central e enfatizou que o crescimento econômico é a solução adequada para reduzir a dívida.

Flávio citou uma dívida de R$ 11 trilhões, fazendo referência à Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG). O senador propôs que, se vencer as eleições, utilizará a Caixa Econômica Federal para comprar dívidas de bancos e refinanciá-las. Lula, por sua vez, lembrou que já havia encaminhado um projeto ao Senado sobre renegociação de dívidas e mencionou uma operação de R$ 15 bilhões que beneficia 4,5 milhões de pessoas.

SUS

Outra polêmica surgida no debate foi sobre o Sistema Único de Saúde (SUS). Lula questionou Flávio sobre comentários feitos por integrantes de sua equipe que insinuavam que não haveria investimento no SUS, além de criticar a gestão da pandemia no governo Bolsonaro. “Como você quer melhorar a saúde desse país negando o plano de saúde mais importante que existe?”, perguntou Lula, enfatizando o papel do SUS durante a crise da covid-19 e as mortes ocorridas durante essa fase.

Flávio rebateu afirmando que manterá e ampliará os investimentos no SUS, mas criticou a gestão atual, apontando filas de espera e o financiamento da saúde. “O tesouraço vai ser na corrupção do atual governo e na burocracia”, declarou, prometendo também aumentar a tabela de procedimentos do SUS.

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