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Turismo de observação promove a preservação das baleias-jubarte

Turismo de observação em Abrolhos impulsiona economia local e contribui para a preservação das baleias-jubarte, com aumento significativo da população da espécie

Paulo Salomão, hoje capitão de barco no litoral de Caravelas, na Bahia, começou sua jornada no mar aos seis anos, acompanhando seu pai nas pescarias. Naquela época, nos anos 80, o Arquipélago dos Abrolhos era um cenário repleto de peixes, mas a criação do Parque Marinho dos Abrolhos, em 1983, mudou radicalmente a paisagem, impondo regras severas de proteção ambiental e restringindo a pesca na região. Na busca por um novo caminho, Salomão decidiu se reinventar e dedicar-se ao turismo, levando visitantes para conhecer as belezas submarinas.

“Eu mareava muito, muito, muito”, relembra ele sobre seus primeiros dias no mar. Ao completar 18 anos, tirou sua carteira de piloto, mas viu sua trajetória profissional mudar com a proibição da pesca no parque. Assim, decidiu explorar novas oportunidades, transformando seu amor pelo mar em um negócio rentável.

Não por acaso, o primeiro barco que batizou foi o Teimoso, refletindo sua determinação. Hoje, ele comanda quatro embarcações, incluindo uma que comporta 50 pessoas, e emprega dez trabalhadores. O ápice de seu negócio, no entanto, veio com a temporada das baleias-jubarte, que, todos os anos, migram do extremo sul, em busca das águas morna do Arquipélago.

Maternidade das Baleias

Abrolhos é considerado uma maternidade para as jubartes. Elas percorrem cerca de 4 mil quilômetros desde a Antártica até esse santuário no sul da Bahia, onde ocorrem o acasalamento e o nascimento de filhotes. O aumento da população de baleias, de apenas 2 mil no início da década de 1990 para cerca de 35 mil em 2022, traz um novo impulso econômico ao turismo local. “Com o aumento da população de baleias, passamos a ter um fluxo de turistas no inverno também”, destaca Salomão.

A transformação do turismo na região permitiu que muitos profissionais abandonassem outras ocupações e se tornassem marinheiros. A movimentação gera um impacto econômico significativo no município, especialmente em julho e agosto, meses em que ocorre o pico de avistamentos.

Pesquisadores coletam amostras para pesquisas biológicas das baleias no Parque Nacional Marinho dos Abrolhos. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Caravelas – Pesquisadores coletam amostras no Parque Nacional Marinho dos Abrolhos. Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Instituto Baleia Jubarte, fundado em 1988, tem sido fundamental na preservação da espécie e na promoção do turismo sustentável. O diretor-executivo, Eduardo Camargo, ressalta que o turismo de observação serve como uma ferramenta de conservação, agregando valor econômico às jubartes vivas. Segundo ele, “não se pode simplesmente impedir o acesso ao mar durante a migração. O que importa é alcançar um equilíbrio entre proteção e desenvolvimento econômico”.

Regulamentação e Conscientização

O turismo de observação é regulado por regras estabelecidas pela Marinha e pelo Ministério do Meio Ambiente. As embarcações devem manter uma distância mínima de 100 metros das jubartes e limitar a permanência na proximidade a 60 minutos. A fiscalização dessa regulamentação é responsabilidade do poder público, mas há um esforço conjunto com o Instituto para capacitar operadores e fomentar a adesão a práticas sustentáveis.

Essa conscientização visa não apenas a proteção das baleias, mas também a promoção de um entendimento mais amplo sobre a importância da conservação marinha. “Ver as baleias transforma as pessoas”, afirma Camargo, destacando que essa experiência pode influenciar mudanças de comportamento em relação ao meio ambiente.

Histórias de visitantes reforçam a profundidade desse impacto. A mineira Deise Gomes Valente, que ouviu falar sobre as jubartes em um noticiário, decidiu visitar Abrolhos e se emocionou ao avistar uma baleia pela primeira vez. “Foi uma experiência incrível, especialmente por vê-las em seu habitat natural”, relatou.

Karina Moraes, que viajou de Vitória a Abrolhos em busca da biodiversidade local, também compartilha sua gratidão. Apesar de enfrentar percalços durante a viagem, ao chegar, revelou que “vale a pena” cada desafio encarado na jornada.

Conclusão: Uma Nova Era para Abrolhos

Com centros de visitação em Caravelas e outras localidades, o Instituto Baleia Jubarte promove um turismo educacional que não só atrai visitantes, mas também coleta dados essenciais para pesquisa. O valor econômico das baleias é significativo, com estimativas apontando para contribuições de mais de US$ 82 bilhões em serviços ambientais e no turismo.

O futuro da sustentabilidade marinha em Abrolhos não depende apenas de ações conservacionistas, mas também de uma relação harmoniosa entre a comunidade local e as majestosas jubartes, que, agora, se tornaram sinônimo de vida, economia e preservação no litoral brasileiro. Repórter e repórter fotográfica viajaram a Abrolhos e Caravelas a convite da Petrobras.

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