

O Prêmio TV Brasil Petrobras Para Elas 2026 destaca uma categoria inovadora que visa combater o assédio e a violência de gênero no futebol: a premiação Futebol Feminino Contra o Feminicídio. Anunciados nesta segunda-feira (2), os finalistas são os clubes Bahia, Botafogo e Internacional, que têm se empenhado em ações significativas na luta pela igualdade e respeito às mulheres.
Conforme o estudo “Retrato dos Feminicídios no Brasil”, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgado em março deste ano, o país registrou 1.568 feminicídios em 2025, resultando em um assassinato a cada cinco horas e 36 minutos — um aumento de 4,7% em relação a 2024. A maioria das vítimas eram negras (62,6%) e estavam na faixa etária de 30 a 39 anos (28,3%). Dentre os crimes analisados entre 2021 e 2024, 66,3% ocorreram dentro da residência da vítima, com mais de 80% dos casos sendo cometidos por parceiros íntimos atuais ou antigos.
A seleção dos clubes finalistas foi realizada por um júri composto exclusivamente por mulheres, incluindo jornalistas e comunicadoras que acompanham e promovem a igualdade de gênero no esporte. Este time de especialistas avaliou a relevância social das iniciativas implementadas pelos concorrentes no contexto esportivo.
A entrega dos prêmios será realizada no Museu do Futebol, em São Paulo, no dia 15 de novembro, onde também serão anunciados os vencedores de outras categorias, como Craque da Torcida, Jogadora Revelação e Melhor Jogadora.
O Bahia se destacou por sua adesão à campanha “Feminicídio Zero”, promovendo eventos de conscientização antes dos jogos, incluindo uma ação durante uma partida da terceira rodada do Campeonato Baiano, onde exibiu faixas e os jogadores entraram em campo com camisas roxas. Além disso, o clube lançou a campanha “Terceiro Tempo” no Brasileirão masculino, em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), alertando sobre o aumento da violência de gênero em dias de jogos, com estatísticas alarmantes de agressões crescentes.
O Botafogo implementou o projeto “A Hora Delas”, estabelecendo um posto para denúncias de assédio no Estádio Nilton Santos, sendo pioneiro no Rio de Janeiro. Os funcionários recebem treinamentos específicos para lidar com situações de assédio durante os jogos. A recente partida contra o Remo incluiu um uniforme especial para a campanha do Outubro Rosa, reforçando a presença feminina no futebol.
O Internacional destaca-se por ser o primeiro clube brasileiro a ter uma sócia mulher, Maria Von Ockel, desde 1918. Recentemente, lançou o projeto “Banco Vermelho”, um banco simbólico no Beira-Rio que coleta mensagens de apoio no combate à violência de gênero, inspirado em uma ação similar da Itália.
As iniciativas do clube gaúcho incluem eventos como “Mulheres na Arquibancada e o Combate ao Feminicídio”, que oferece palestras e relatos de vítimas, apoiadas pelo núcleo feminino da Guarda Popular. Em partidas do Campeonato Gaúcho, tanto Inter quanto Grêmio demonstraram apoio à luta contra a violência, utilizando mensagens e placares simbólicos que destacavam a gravidade da situação no estado.



