Artigo: o Brasil tem potencial olímpico ainda a ser explorado
Com novas modalidades o país se destacou e ainda 'ressurgiu' em outros esportes

As perspectivas para Tóquio 2020, disputado em 2021, foram superadas e o Brasil teve sucesso com o recorde de número de medalhas. Foram 21 ao todo e 12º lugar na classificação geral. Foram sete de ouro, seis de prata e oito de bronze e assim um 12º lugar na classificação geral conquistada. Também é de celebrar a façanha histórica de conquistar três medalhas de ouro em um único dia, como o que aconteceu no sábado (7), onde a canoagem, o boxe e o futebol masculino subiram no topo do pódio. Mas não podemos esquecer que obstáculos tiveram de ser encarados.
A pandemia do coronavírus, claro foi o principal desafio de todos os atletas, já que muitos tiveram de parar um por um bom tempo de treinar com as equipes e precisaram se adaptar. Além disso, a pandemia também causou cortes de verba, onde, se comparado com a Rio 2016, a queda de investimento foi de 47%. De R$ 3,8 bilhões, o valor foi para R$ 2 bilhões.
Para nós meros mortais, estes valores são gigantescos e resolveria a vida de muita gente. Só que a pergunta é se isto é realmente traduzido para transformar o Brasil em potência olímpica e um país com vocação esportiva? Não é o que parece. Até porque os campeonatos existentes ainda apresentam um nível técnico baixo, se comparado a outros países do pelotão de elite.
Talentos, temos vários e pudemos ver na canoagem, com Isaquias Queiroz, no skate, com Kelvin Hoefler, Rayssa Silva e Pedro Barros, no arremesso de peso com Darlan Romani, no salto com vara, com Thiago Braz, no atletismo com Alison dos Santos, no tênis com Luisa Stefani e Laura Pigossi e na ginástica artística com Rebeca Andrade e Arthur Zanetti.
Todos eles mostraram uma força fora do comum e mesmo com inúmeras dificuldades, precisando depender de patrocínios e ajuda para competir em uma Olimpíada, ainda assim tiveram conquistas de medalha.
O caminho
O que o Brasil precisa é deixar de associar o esporte apenas ao futebol ou ao máximo ao vôlei. Todas as modalidades olímpicas merecem ser enxergadas, investidas e serem desenvolvidas. Por todo este território imenso do Brasil existem talentos e talentos para as mais variadas modalidades. Com um trabalho sério de fomentação, estimulando a criança ou o adolescente a praticar e permitir que ela possa construir uma carreira e uma vida por meio do esporte.
Cidades e regiões metropolitanas devem ter seus centros de referência olímpicos para que lá os talentos sejam ‘garimpados’, desenvolvidos e recebam apoio e garantia de que poderão seguir carreira. Sim, educação, saúde e transporte são essenciais e devem ser investidos sempre. Mas o esporte também é fundamental na vida destas crianças e adolescentes.
Ele proporciona saúde, bem estar, mas também ensina o que é a cultura, a cidadania e pode proporcionar para seguirem uma carreira na área esportiva.
Que em Paris 2024, os erros no ciclo de Tóquio não se repitam. Também que possamos ver mais talentos na ginástica, atletismo, judô, natação, vela, canoagem, skate, surf, ginástica, tênis, vôlei, basquete e em outras modalidades, se destacando e quebrando mais feitos históricos.
Se o Brasil deseja ser uma potência olímpica, deve começar o investimento lá na base, estimulando crianças e jovens, dando um apoio financeiro e recursos para treinos e competições. Além do poder público, as empresas também devem apostar no esporte.
Enquanto isso a todos os medalhistas brasileiros de Tóquio 2020, o nosso muito obrigado por entrarem na história do esporte. Mas aos outros atletas, também um obrigado e os parabéns por, apesar dos baixos investimentos e da pandemia, se superaram e conseguiram chegar a uma Olimpíada. Acreditem que mais sucesso virá pela frente.
LEIA TAMBÉM
Valeu mulherada! No último dia das Olimpíadas, Brasil garante duas medalhas de prata



