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Congresso conta com 70% de parlamentares opositores à agenda ambiental

Nova legislatura terá 70% de parlamentares com baixo alinhamento à agenda ambiental, gerando preocupações sobre a proteção dos recursos naturais do Brasil

A partir de 2027, o futuro da agenda ambiental no Brasil poderá enfrentar um desafio significativo. Uma análise do Observatório do Clima revela que sete em cada dez parlamentares que comporão a 58ª Legislatura (2027-2031) estão alinhados contra as pautas socioambientais. Essa mudança representa um cenário preocupante para a proteção do meio ambiente no país, onde a maioria dos novos senadores e deputados federais demonstram pouca disposição em adotar políticas voltadas para a conservação e o enfrentamento das mudanças climáticas.

O estudo se baseia no índice de convergência ambiental, que avalia o alinhamento dos congressistas às questões climáticas. Utilizando metodologias do Instituto Democracia e Sustentabilidade, a análise classifica o grau de afinidade dos parlamentares em quatro faixas: muito baixa (0 a 25%), baixa (26 a 50%), boa (51 a 69%) e muito boa (70 a 100%).

Com a nova legislatura, o índice de convergência nas duas Casas do Congresso Nacional apresentou resultados alarmantes: 68,9% dos parlamentares estão nas faixas baixa ou muito baixa. Entre eles, 201 congressistas (33,8%) ocupam a faixa muito baixa e 208 (35%) a faixa baixa. Apenas 52 (8,75%) foram classificados como boa e 133 (22,4%) como muito boa em relação à agenda socioambiental.

Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, destaca que essa composição legislativa pode não apenas minar os avanços já conquistados, mas também levar a retrocessos como o enfraquecimento dos órgãos ambientais e a diminuição da proteção das florestas e biomas brasileiros.

Senado

No Senado, a situação é ainda mais grave. O índice de convergência ambiental é de 79% para baixo ou muito baixo, com 64 dos 81 senadores alinhados a uma agenda que ignora iniciativas essenciais para a conservação e a adaptação das cidades às mudanças climáticas. Apenas 17 senadores (21%) se destacam nas faixas boa ou muito boa, sendo 12 (14,8%) classificados como boa e apenas 5 (6,1%) como muito boa.

Esse aumento de 58 (71,6%) para 64 (79%) senadores com baixo ou nenhum alinhamento às pautas ambientais, em comparação à legislatura anterior, sinaliza um desgaste preocupante nas discussões sobre meio ambiente no Brasil.

Câmara

No âmbito da Câmara dos Deputados, a situação é semelhante. Entre os 513 parlamentares que irão compor a Casa, 67,3% (345 deputados) estão nas faixas baixa ou muito baixa em relação ao alinhamento socioambiental. Apenas 40 (7,8%) pertencem à faixa boa e 128 (25%) à faixa muito boa.

A análise do Observatório do Clima aponta que o crescimento de partidos de extrema direita nas Casas, historicamente avessos às pautas ambientais, é um fator que contribui para esta deterioração do compromisso legislativo com a proteção do meio ambiente.

O Partido Liberal (PL), por exemplo, aumentou sua bancada no Senado de 15 para 28 cadeiras (34,6%) e passou de 98 para 121 deputados federais (23,6%) na Câmara, evidenciando a nova composição política.

“Este quadro evidencia quatro anos de muito esforço para aqueles que atuam em clima e meio ambiente, e muita preocupação tanto com graves retrocessos quanto com as terríveis consequências disso tudo para a crise climática”, ressalta Suely Araújo.

Metodologia

A pesquisa utilizou a plataforma Farol Verde do Instituto Democracia e Sustentabilidade, além de fontes oficiais como Câmara, Senado, assembleias legislativas e governos para classificar os parlamentares eleitos que ainda não tinham classificação no índice de convergência ambiental.

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