Estudantes criam ferramentas inovadoras para enfrentar a desinformação
Estudantes de Recife desenvolvem ferramenta que avalia risco de publicações e combate a desinformação, ganhando prêmio nacional e visita à Nasa

Estudantes do 9º ano do Colégio e Curso Desafio, em Recife, desenvolvem uma ferramenta inovadora para combater a desinformação na era da inteligência artificial (IA). Alice Gomes, Beatriz Vasconcellos e Letícia de Oliveira, todas com 14 anos, criaram o Pense Bem, um projeto que venceu o HackaNAV 2026, competição nacional de inovação promovida pelo Nave a Vela, iniciativa de educação tecnológica da Arco Educação. O prêmio? Uma imersão na agência de pesquisa espacial dos Estados Unidos, a NASA.
Com o objetivo de avaliar o impacto das publicações digitais, a plataforma encoraja os usuários a refletirem antes de compartilhar conteúdo. “O Pense Bem permite que você insira o que pretende postar, e ele calcula os riscos de como isso pode ser disseminado, prevenindo possíveis efeitos dominó negativos”, explica Beatriz.
Ainda em fase de desenvolvimento, a plataforma já está no ar, mas passará por aprimoramentos antes do lançamento oficial.
A proposta é simples: “Antes de publicar, pense no impacto”. Os usuários são levados a considerar questões cruciais, como:
- O conteúdo envolve nudez ou informações íntimas sem consentimento?
- Foi gerado ou editado por IA?
- Inclui pessoas reconhecíveis que consentiram com isso?
- Reflete os fatos como realmente ocorreram?
A plataforma, então, classifica o risco do conteúdo e sugere ajustes para evitar a propagação de desinformação e danos à população.
“Pesquisas mostram que as fake news podem impactar gravemente a vida das pessoas, até mesmo em sua socialização e saúde mental”, reflete Beatriz.
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) definiu a desinformação como um dos principais riscos globais para 2025 e os anos seguintes, superando preocupações como mudanças climáticas e crises de segurança.
Implicações da Desinformação
Durante o desenvolvimento do projeto, as alunas conduziram pesquisas e entrevistas com professores e especialistas, constatando os graves impactos da desinformação. “Fiquei surpresa ao perceber como a mentira pode afetar a democracia, seja em ano eleitoral ou não”, disse Beatriz.
Alice Gomes acrescenta que embora a IA seja uma ferramenta útil, ela também pode levar a um consumo passivo de informações, onde as pessoas compartilham conteúdos sem questionar suas veracidades. “Isso faz com que muitos não busquem a verdade e simplesmente compartilhem informações sem se certificar de suas origens”, disse.
“Quando vemos uma notícia, nossa primeira reação deve ser pesquisar mais profundamente sobre ela. O projeto nos ensinou a ser mais críticos”, reflete Alice.
“Queremos ajudar as pessoas a aprimorarem seus pensamentos críticos”, completa.
Letícia de Oliveira enfatiza que o trabalho a fez enxergar o ambiente digital de forma diferente, destacando a necessidade urgente de educação midiática. “Estamos diante de um grave problema que atinge a população e observamos isso em grupos familiares e redes sociais”, compartilha.
“Antes, o tema da desinformação era algo que eu ouvia, mas não compreendia totalmente. Com este projeto, passei a entender melhor como podemos agir para combatê-la”, afirmou Letícia.
Próximos Passos
O Pense Bem ainda terá desdobramentos em escolas, com jogos e capacitações em educação digital, atualmente em desenvolvimento.
Este não é o primeiro projeto do trio. Elas também criaram a plataforma Fato ou Boato, que analisa a veracidade de notícias a partir do link fornecido pelo usuário.
Só o futuro pode dizer quais caminhos as estudantes seguirão após a visita à NASA. Enquanto isso, Beatriz tem planos de se tornar médica, enquanto Letícia e Alice considerarão carreiras na área de tecnologia.



