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CPI da Covid tem pedido de prisão contra ex-diretor do Ministério da Saúde

Roberto Dias foi convocado e foi acusado de mentir no depoimento

Mais um dia de depoimento na CPI da Covid aconteceu em Brasília e teve pedido de prisão no Senado. Ela veio do senador Omar Aziz (PSD) contra o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias. O motivo é porque há acusação de mentiras e prejúrio, ou seja, violou o juramento de falar de verdade.

A prisão foi determinada às 17h26, e Roberto Dias foi levado para a Delegacia de Polícia do Senado. Até a última atualização desta reportagem, ele ainda não havia deixado o local. Roberto Dias foi convocado a dar explicações sobre as acusações de que teria pedido propina de US$ 1 por dose de vacina em negociações e teria pressionado um servidor do ministério a agilizar a aquisição da Covaxin, vacina produzida na Índia. Dias nega as duas acusações.

“Chame a polícia do Senado. O senhor está detido pela presidência da CPI”, afirmou Aziz a Roberto Dias.

A decisão de Aziz provocou reação da advogada de Roberto Dias. Ela afirmou que a prisão é um “absurdo” e que o ex-diretor deu “contribuições valiosíssimas” para a comissão.

A advogada ainda questionou se Roberto Dias continuaria na condição de testemunha ou se havia passado à condição de investigado. “Se estiver na condição de investigado, eu vou orientar que ele permaneça em silêncio”, declarou a responsável pela defesa do ex-diretor.

Clima quente

o senador Marcos Rogério (DEM-RO) perguntou a Aziz em qual fato e em qual argumento o presidente da CPI se baseou para determinar a prisão. Aziz, então, respondeu: “Perjúrio desde o início.” Marcos Rogério, na sequência, indagou: “Qual o fato?”.

Aziz, em resposta, disse: “Vários. Vários. Vários. Dizer que não tinha conhecimento que ia se encontrar com o Dominghetti. Marcar uma audiência relâmpago…” A senadora Simone Tebet (MDB-MS), então, sugeriu uma acareação entre Roberto Dias e Elcio Franco, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde.

Omar Aziz respondeu que não fará acareação “com dois mentirosos”. O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), se dirigiu a Aziz e pediu respeito aos direitos de Roberto Dias. “Vossa excelência nunca se afastou desta posição de equilíbrio”, argumentou Bezerra.

Aziz, então, respondeu que não aceitará que a CPI vire “chacota”.

“Tenho sido desrespeitado como presidente da CPI, ouvindo historinhas. As pessoas se preparam. Não aceito que a CPI vire chacota. Temos 527 mil mortos, e os caras brincando de negociar vacina. […] Ele está preso por mentir, por perjúrio”, declarou Aziz.

“Se eu estiver cometendo abuso de autoridade, que a advogada dele me processe. Nós não estamos aqui para brincar, para ouvir historinha de servidor que pedir propina. Ele que recorra na Justiça, mas ele está preso e a sessão está encerrada. Pode levar”, completou.

A repercussão

Enquanto acontecia a sessão da CPI, o plenário do Senado estava reunido para votar indicações de autoridades. Quando a prisão de Roberto Dias foi determinada, Telmário Mota (PROS-RN) disse a Rodrigo Pacheco (DEM-MG), presidente do Senado, que as decisões tomadas pela comissão precisam ser invalidadas.

Na sequência, Esperidião Amin (PP-SC) disse que “qualquer decisão da CPI pode ser considerada nula” com efeito retroativo. Argumentou que o plenário do Senado já estava na Ordem do Dia no momento da ordem de prisão. Aziz determinou a prisão de Roberto Dias às 17h26. A Ordem do Dia no Senado iniciou às 16h35.

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