Desmatamento na Amazônia atinge menor taxa em 41 anos, aponta MapBiomas
Desmatamento na Amazônia cai para 693 mil hectares em 2025, o menor índice em mais de quatro décadas segundo dados do MapBiomas


A Amazônia atingiu um marco histórico em 2025, registrando o menor nível de desmatamento nos últimos 41 anos. Segundo a Coleção 11 do MapBiomas, a área desmatada totalizou 693 mil hectares, um número que traz esperança em meio a décadas de devastação ambiental.
Desse total, 639 mil hectares foram de vegetação primária, ou seja, de áreas que permaneciam intocadas, enquanto 54 mil hectares corresponderam a vegetação secundária, que, apesar de já ter sofrido intervenções, ainda possui potencial para se recuperar naturalmente.
Ao longo desses 41 anos, a Amazônia perdeu 54,7 milhões de hectares de vegetação nativa — um somatório que chega a 74,6 milhões de hectares de território transformado pelo ser humano. A maior parte dessa perda ocorreu nas formações florestais, que registraram uma diminuição de 14,8% de sua área.
Agropecuária em Ascensão
A agropecuária, por sua vez, avança sobre a Amazônia, especialmente em áreas adjacentes às zonas protegidas, como Unidades de Conservação e Terras Indígenas. Em 2025, essa atividade já ocupava 30,5% do total dessas áreas, de acordo com o levantamento.
A proximidade de estradas também exerce pressão sobre essas regiões, que veem sua vegetação nativa ameaçada. O estudo revela que as áreas situadas mais próximas aos caminhos são também as mais afetadas pela ocupação agropecuária.
No total, a agropecuária ocupou 15,5% do território da Amazônia em 2025, o que equivale a 65,3 milhões de hectares. Deste montante, 50,8 milhões de hectares são destinados à pecuária, enquanto 8,6 milhões se referem à agricultura, representando 2% do bioma.
A mineração também se destacou, ocupando 440 mil hectares no bioma em 2025 — um crescimento alarmante em comparação aos 32 mil hectares registrados no início da série histórica, um aumento de 14 vezes em 41 anos.
Metodologia do Estudo
Os dados utilizados no estudo foram obtidos a partir da coleção 11 do MapBiomas, cruzados com informações de vias mapeadas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e dados do OpenStreetMap.
O levantamento considerou um total de 618 mil km de vias, incluindo aquelas que não fazem parte da malha rodoviária oficial, evidenciando a complexidade da situação enfrentada pela Amazônia.



