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Fim da escala 6×1: novo modelo traz alívio para famílias e melhora na saúde dos trabalhadores

A aprovação da PEC que altera a jornada de trabalho para 5x2 promete mais tempo para descanso e atendimentos de saúde a milhões de trabalhadores brasileiros

Adrielle Barbosa de Aquino, de 27 anos, vive no coração do Rio de Janeiro e se dedica ao trabalho como garçonete em um restaurante local, onde atua de segunda a sábado. Mãe de duas crianças, ela não conhece a sensação de ter dois dias de folga na semana desde que iniciou sua trajetória profissional quase uma década atrás.

“Trabalho na escala 6×1, então só tenho o domingo livre. Um único dia para lidar com mil coisas, especialmente sendo mãe. É uma carga pesada!”, desabafa.

Adrielle explica que, por conta dessa rotina, quando precisa agendar uma consulta médica para os filhos em dias da semana, acaba tendo que faltar, resultando em descontos em seu salário: “Perco um dia de trabalho e ainda arcar com a diminuição do meu pagamento.”

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Uma jornada exaustiva

Adrielle é apenas uma entre os milhões de brasileiros que enfrentam a desgastante jornada de trabalho de seis dias semanais. Ao saber da recente aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 pelo Senado Federal na quarta-feira, 14, ela viu uma possibilidade de conseguir mais tempo para si mesma e para a família — seja para descansar, estudar, ou até mesmo trabalhar em outras atividades.

Uma pesquisa da Nexus, realizada em fevereiro deste ano, revela que 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1.

Yasmin Nascimento, auxiliar administrativo em uma clínica e também sujeita à rotina 6×1, está otimista. Em uma manhã apressada, enquanto aguardava um mototáxi, expressou seus desejos de um futuro mais equilibrado.

“É um dia a mais com a família, seja para trabalhar, estudar ou simplesmente descansar. A escolha do que fazer na folga é da pessoa. Fiquei muito feliz com a aprovação da PEC!”, afirmou.


Rio de Janeiro (RJ), 15/10/2026 – A ajudante de cozinha, Cristiane Wandermurin de Oliveira fala à Agência Brasil sobre a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com da escala de trabalho 6x1, no centro do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 15/10/2026 – A ajudante de cozinha, Cristiane Wandermurin de Oliveira fala à Agência Brasil sobre a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com da escala de trabalho 6x1, no centro do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A ajudante de cozinha Cristiane Wandermuren comenta a aprovação do fim da escala de trabalho 6×1, no centro do Rio de Janeiro – Tomaz Silva/Agência Brasil

Aos 56 anos, Cristiane Wandermuren também viveu a rotina da 6×1 desde a adolescência, mudando de funções ao longo dos anos. “Com um dia a mais, eu poderia cuidar da minha saúde e aproveitar mais tempo com os meus netos. Atualmente, meu tempo para a família é mínimo”, lamenta.

“Só temos o domingo para tudo. Como vou ao médico nesse dia? Esses compromissos são, normalmente, no meio da semana… E o chefe fica incomodado se você chegar atrasado.”

Reflexões sobre o passado

Simone Cunha de Oliveira, que trabalhou 15 anos na 6×1, conseguiu recentemente um emprego em uma escola que a permite ter duas folgas semanais. Ela afirma que a qualidade de vida melhorou significativamente. “Um dia é insuficiente para resolver tudo. Com dois, dá para cuidar melhor da saúde e das obrigações”, conta.

Ela anseia pela mudança na rotina de sua irmã, ainda presa à 6×1, e torce para que a nova legislação potencialize a saúde e bem-estar de todos.

“Espero que as pessoas possam descansar adequadamente. O trabalho incessante tem gerado tantas doenças. Que a lei traga um descanso merecido à população.”


Rio de Janeiro (RJ), 15/10/2026 – A aposentada Maria Antônia de Carvalho fala à Agência Brasil sobre a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com da escala de trabalho 6x1, no centro do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 15/10/2026 – A aposentada Maria Antônia de Carvalho fala à Agência Brasil sobre a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com da escala de trabalho 6x1, no centro do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Aposentada Maria Antônia de Carvalho trabalhou a vida inteira com apenas um dia de descanso por semana – Tomaz Silva/Agência Brasil

A aposentada Maria Antônia de Carvalho, de 63 anos, também conhece bem a pressão da 6×1. “Trabalhei assim a vida toda. Era uma tortura não ter tempo para cuidar de mim. O descanso era raro, e quando achava que ia relaxar, já voltava ao trabalho no dia seguinte. Agora, com a aposentadoria, tenho finalmente um tempo para mim e para a minha família”, comemora.


Rio de Janeiro (RJ), 15/10/2026 – A aposentada Luciana Machado de Oliveira fala à Agência Brasil sobre a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com da escala de trabalho 6x1, no centro do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 15/10/2026 – A aposentada Luciana Machado de Oliveira fala à Agência Brasil sobre a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com da escala de trabalho 6x1, no centro do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Aposentada Luciana Machado comemora o fim da escala de trabalho 6×1 – Tomaz Silva/Agência Brasil

Luciana Machado, de 65 anos, também dedicou grande parte da vida à jornada 6×1 e atualmente, mesmo aposentada, se vê na posição de trabalhar mais para compensar a folga de sábado. “Não tenho certeza se a nova lei garantirá que as pessoas não precisem trabalhar mais durante a semana, como foi meu caso. O medo de perder dinheiro por trabalhar um dia a menos é real”, expressa.

Novas regras em vigor

O texto aprovado no Senado assegura que as empresas devem garantir a escala 5×2, assim como a redução da jornada de 44 para 42 horas semanais, 60 dias após a promulgação da emenda. Caso a PEC seja promulgada em outubro, as novas regras devem entrar em vigor em dezembro de 2026.

Após essa primeira fase, a jornada deve ser reduzida para 40 horas em um período de 12 meses, totalizando 14 meses para a transição completa. A exceção ficará por conta dos trabalhadores terceirizados da administração pública, que terão uma regra de transição diferenciada.

Principais mudanças previstas pela PEC:

  • Escala de 5 dias de trabalho com 2 dias de descanso (após 60 dias); 
  • Redução da jornada de 44 horas para 42 horas semanais (após 60 dias); 
  • Jornada de 42 horas para 40 horas semanais, mantendo a escala 5×2 (em 14 meses).

Cálculo da nova carga horária

Durante o período entre o segundo e o 14º mês após a promulgação, os empregadores deverão distribuir as horas adicionais ao longo da semana. Cada empregado trabalhará, em média, 8 horas e 24 minutos nos cinco dias. Após a transição, o limite será de oito horas diárias e 40 horas semanais, com a realização de horas extras apenas mediante pagamento adicional.

Adicionalmente, a proposta permite que leis complementares posteriores venham a estabelecer medidas de mitigação dos impactos da redução da jornada para microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e empresas de pequeno porte.

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