Estudantes criam plataformas inovadoras para enfrentar a desinformação

Estudantes de Recife desenvolvem ferramentas digitais para promover a análise crítica e combater a desinformação no uso de inteligência artificial

O avanço da inteligência artificial (IA) traz tanto facilidades quanto desafios, especialmente no que diz respeito à criação de conteúdo online. Essa dualidade motivou três estudantes de Recife a desenvolverem uma inovadora ferramenta chamada Pense Bem, destinada a ajudar as pessoas a avaliar o impacto das informações que compartilham nas redes sociais.

As jovens, Alice Gomes, Beatriz Vasconcellos e Letícia de Oliveira, todas com 14 anos e alunas do 9º ano do Colégio e Curso Desafio, se destacaram no HackaNAV 2026, uma competição nacional de inovação promovida pelo Nave a Vela, uma iniciativa da Arco Educação. Como reconhecimento pelo trabalho realizado, elas conquistaram uma imersão tecnológica na agência de pesquisa espacial dos Estados Unidos, a NASA.

“O Pense Bem permite que os usuários insiram publicações que pretendem divulgar para calcular o risco associado, observando se isso pode criar um efeito dominó negativo”, explica Beatriz, que é uma das criadoras da plataforma, que ainda está em fase de aprimoramento antes de seu lançamento oficial.

O convite claro da ferramenta é: “Antes de publicar, pense no impacto”. Ao acessar a plataforma, os usuários são guiados por uma série de perguntas que ajudam a avaliar se o conteúdo pode causar danos ou disseminar desinformação. Questões como a inclusão de conteúdo sensível, o consentimento de pessoas retratadas e a veracidade dos fatos são consideradas.

A estudante Beatriz ressalta a seriedade dos efeitos das fake news: “Pesquisas mostram que essas informações falsas podem impactar a vida pessoal das pessoas, até afetando seu psicológico”.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) identificou a desinformação como um dos principais riscos globais para 2025 e anos seguintes, superando até questões como mudança climática e violência.


Recife (PE), 16/10/2026 - Estudantes desenvolvem plataformas para combater a desinformação. Foto: Renan Braz/Divulgação
Recife (PE), 16/10/2026 - Estudantes desenvolvem plataformas para combater a desinformação. Foto: Renan Braz/Divulgação

Estudantes fizeram pesquisas e entrevistas com professores, estudantes e especialistas para desenvolver o trabalho – Foto: Renan Braz/Divulgação

A Impacto na Democracia

A pesquisa que deu origem ao projeto focou também em como a desinformação pode prejudicar a democracia, um tema que chocou Beatriz ao aprender sobre seu impacto tanto em períodos eleitorais quanto fora deles. “Fake news podem alterar a percepção pública e, consequentemente, a democracia”, afirma.

Alice Gomes salienta que, apesar dos benefícios da IA, essa tecnologia pode incentivar a falta de questionamento crítico por parte dos usuários. “As pessoas tendem a compartilhar informações sem verificar sua veracidade ou fontes”, observa.

“Após este projeto, eu e minhas colegas passamos a questionar melhor as notícias que recebemos”, aponta Alice, destacando a mudança na forma como interagem com conteúdos digitais.

Letícia de Oliveira, a terceira integrante do grupo, enfatiza a importância de uma educação digital sólida, ressaltando que a desinformação é um problema crescente que afeta a sociedade como um todo. “Esse projeto me despertou para a necessidade de combater fake news”, afirma.

Futuras Iniciativas

Além do Pense Bem, as estudantes também desenvolveram a plataforma Fato ou Boato, que auxilia na identificação de notícias falsas. Elas estão animadas com a possibilidade de visitar a NASA e expressam interesse em seguir carreiras na área de tecnologia, embora Beatriz tenha planos de estudar medicina.

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