COP27 da Biodiversidade tem início na Armênia nesta segunda-feira
Representantes de mais de 200 países discutem em Yerevan estratégias para a proteção da biodiversidade e o cumprimento de metas até 2030


A partir desta segunda-feira (16), a capital da Armênia, Yerevan, sedia a 17ª Conferência das Partes das Nações Unidas (COP17) da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB). O evento reunirá representantes de mais de 200 países e se estenderá até o dia 30, com a intenção de discutir e promover ações para a proteção e restauração dos ecossistemas globais.
Um dos focos principais desta edição é a primeira revisão do Marco Global de Kunming-Montreal (GBF, na sigla em inglês), um acordo assinado por 196 nações que estabelece 23 metas a serem cumpridas até 2030. A conferência, realizada bienalmente, tem como desafio central debater estratégias e firmar compromissos para enfrentar a crescente perda de biodiversidade no planeta.
Nesta segunda-feira, o secretário-geral da ONU, António Guterres, proferiu um discurso sobre o relatório de avaliação do progresso na implementação do GBF, que servirá como base para os debates na COP17. Guterres alertou que, embora haja avanços, os compromissos firmados pelos países ainda estão muito longe de serem alcançados. Ele destacou a criação de metas nacionais por praticamente todos os países signatários e a proteção de mais de 1,3 milhão de quilômetros quadrados de áreas terrestres, além de 6 milhões de quilômetros quadrados de áreas marinhas.
No entanto, no ritmo atual, até 2030, apenas 26% dos ecossistemas terrestres e 12% dos marinhos estarão protegidos, segundo Guterres, que enfatizou a urgência de acelerar as ações. “Yerevan é o nosso momento de prestação de contas”, declarou.
Biodiversidade em risco
Uma análise do Global Cooperation Institute (GCI), realizada a pedido do WWF, revela que a implementação das metas está atrasada e a ambição de muitos países ainda é insuficiente. Os ambientalistas alertam que os modelos econômicos vigentes são culpados não só pela perda de biodiversidade, mas também por mudanças climáticas, escassez de recursos hídricos, insegurança alimentar e riscos à saúde.
O estudo ainda estima que os custos não reconhecidos dessa degradação ecológica variam entre US$ 10 trilhões a US$ 25 trilhões por ano. “A COP17 precisa levar os países a agir e implementar seus compromissos. Os benefícios da ação coletiva em prol da natureza são evidentes: maior resiliência ecológica e sistemas alimentares e hídricos mais seguros”, afirmou Kirsten Schuijt, diretora-geral do WWF Internacional.
Brasil e sua contribuição
A delegação brasileira na COP17 reforça que o Brasil desempenha um papel estratégico na implementação do Marco Global da Biodiversidade, devido à sua imensa biodiversidade e experiências bem-sucedidas na conservação que podem ser replicadas em outras nações.
Um exemplo é a promoção da conectividade entre áreas de conservação de terras, águas doces e marinhas, por meio de corredores verdes e azuis. O WWF-Brasil planeja destacar esse tema nas discussões da conferência, buscando reconhecimento da conectividade ecológica como essencial para manter a integridade dos ecossistemas.
“A conservação da biodiversidade exige uma visão que ultrapasse os limites das áreas protegidas isoladas, tratando os ecossistemas como sistemas interligados”, ressalta Marcelo Oliveira, diretor técnico de Biodiversidade do WWF-Brasil. A organização também pretende incorporar a conectividade ecológica ao Programa de Trabalho sobre Áreas Protegidas, adotado pela primeira vez na COP7, em 2004, para criar redes globais de áreas protegidas.
“Proteger e reconectar paisagens terrestres, rios e ambientes marinhos é crucial para a efetividade da conservação e para o cumprimento das metas de biodiversidade até 2030”, finaliza Oliveira.


