Cubatão

Agressão a Marielle é denunciada em grupo de WhatsApp da PUC-Rio pela família

Ofensas racistas dirigidas a Marielle Franco em grupo da PUC-Rio geram revolta e demandam investigação da universidade sobre o ocorrido

Luyara Franco, filha da vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018, fez uma grave denúncia nas redes sociais sobre ofensas racistas direcionadas à sua mãe em um grupo de WhatsApp da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Em sua postagem, Luyara revelou que comentários depreciativos incluíram o termo “macaca” e questionamentos sobre como Marielle teria pago sua educação superior.

“Mais uma vez, atacam a memória da minha mãe com ódio e racismo. Dói, revolta, mas não vai nos silenciar. Racismo é crime! Exigimos respeito, apuração e posicionamento da PUC-Rio,” declarou Luyara em um post compartilhado com o Instituto Marielle Franco.

“Estamos falando de uma mulher negra que, com muito esforço e comprometimento, formou-se na universidade e dedicou sua vida à transformação social. Sua trajetória, marcada pela violência política, ainda é alvo de discursos racistas,” completou Luyara.

Ela enfatizou: “Isso não é brincadeira, não é opinião, não é liberdade de expressão. Racismo é crime.” De acordo com a Constituição Federal, o racismo é um crime inafiançável e imprescritível, podendo resultar em pena de reclusão e multa.

A PUC-Rio confirmou o recebimento de denúncias sobre o ocorrido através de sua Ouvidoria e estabeleceu uma investigação interna para apurar os fatos e tomar as medidas cabíveis. Em comunicado, a universidade repudiou veementemente qualquer ato de discriminação, incluindo racismo, e afirmou seu compromisso com uma educação antirracista e a preservação da memória de Marielle Franco.

Ofensas em manifestações

Recentemente, Marielle também foi alvo de ofensas durante uma manifestação em 13 de outubro próximo à PUC-Rio, envolvendo apoiadores do ex-presidencial Flávio Bolsonaro (PL). Em vídeos que se espalharam pelas redes sociais, bolsonaristas ironizaram o assassinato da vereadora, um dos manifestantes usou um carro de som para afirmar que “Marielle está com papai do céu” e enfatizou: “ou no colo do capeta”.

Esse incidente gerou grande repercussão, com Luyara e sua irmã, a deputada federal eleita Anielle Franco (PT), se manifestando nas redes em defesa da memória de Marielle.

O assassinato de Marielle Franco

Marielle foi brutalmente assassinada em março de 2018, quando seu carro foi alvo de disparos enquanto deixava um ato no centro do Rio de Janeiro. Além dela, o motorista Anderson Gomes também foi morto.

Os ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz foram condenados em 2024 pelo assassinato de Marielle e Anderson. Além deles, outros cinco indivíduos, incluindo o ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro Domingos Brazão e o ex-deputado federal Chiquinho Brazão, também receberam penas relacionadas ao crime.

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