Enem 2026 traz inovações em apoio emocional e acessibilidade para todos os candidatos
Enem 2026 implementa novidade com presença de acompanhantes e cães de apoio emocional para candidatos com transtornos psicológicos e necessita de laudo aprovado


Em uma importante iniciativa de inclusão, participantes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) que tenham históricos de crises de ansiedade ou Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) poderão comparecer às provas acompanhados de um familiar ou de um cão de apoio emocional. Essa é a primeira vez que essa medida é adotada.

A solicitação do atendimento especializado deve ser feita no momento da inscrição e aprovada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que é responsável pela aplicação do exame. Segundo o edital deste ano, essa nova possibilidade também se aplica a outras condições emocionais e prevê que o acompanhante permaneça em uma sala reservada sob a supervisão de fiscais, caso o participante necessite de apoio ou estabilização.
O ministro da Educação, Leonardo Barchin, destacou a importância dessa medida em uma entrevista à Agência Brasil. “Se o candidato tiver o laudo adequado e a solicitação aprovada, ele terá um acompanhante familiar caso precise ir ao banheiro ou em outras situações. Esse apoio emocional é fundamental”, afirmou Barchin. “O Enem deve ser acessível e cada vez mais inclusivo. Todos os anos, a gente evolui nessa questão.”
No próximo domingo (8), 138.329 solicitações de atendimento especializado foram confirmadas pelo Inep para esta edição do Enem. Outra atualização importante deste ano é a inclusão de candidatos com fibromialgia nas condições que podem solicitar atendimento especializado e/ou recursos de acessibilidade.
Acolhimento
Entre os solicitantes está Maria Clara Gonçalves, de 18 anos, residente em Cotia (SP). Estudante do 3º ano do ensino médio, Maria Clara foi diagnosticada com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) entre os 14 e 16 anos, devido a dificuldades notórias nos estudos. Para ela, a ideal seria realizar as provas em salas menores, para reduzir as distrações causadas pelo ambiente.
“Para mim, como neurodivergente, é complicado estar em uma sala cheia, pois acabo me distraindo com os outros. É muito melhor ter um espaço com menos pessoas, onde todos entendem o que estou passando”, explicou a jovem, que pretende estudar medicina com foco em neurologia.
Isabella Magalhães, de 25 anos, também compartilhou sua experiência com o Enem. Ela, que já realizou o exame em 2017 com atendimento especializado, tem diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista, nível 2. Embora não tenha encontrado dificuldades nas matérias, Isabella se lembrou do ambiente desafiador e da duração da prova como os principais obstáculos.
“É essencial que o governo olhe para esse público, pois o ambiente e a duração impactam muito a experiência. Não é apenas a dificuldade da prova que é complicada, mas tudo ao redor”, comentou Isabella, que atualmente estuda para concursos públicos e planeja uma segunda graduação em biologia.
Dicas da especialista
Giselle de Oliveira Araújo, psicopedagoga e especialista em educação especial, explicou que o cérebro possui capacidade de aprendizado e adaptação, desde que as condições sejam favoráveis. “Minha mensagem é que esses estudantes não precisam se adaptar a padrões, mas sim conhecer suas necessidades e usar estratégias que realmente funcionem para eles”, aconselhou.
Ela sugeriu algumas práticas que podem ajudar durante as provas:
- Apoiar os pés no chão;
- Sintetizar o contato com a cadeira;
- Relaxar os ombros;
- Alongar as mãos;
- Ajustar a postura;
- Praticar respirações lentas.
Giselle também destacou que as pausas estratégicas devem ser guiadas pelos sinais de estresse, como a re-leitura excessiva. Momentos para desviar o olhar do papel e recuperar a atenção devem ser incorporados a práticas anteriores em simulados.
Atendimento especializado
Nesta edição do Enem, o número de solicitações de atendimento especializado e/ou de recursos de acessibilidade se concentraram em participantes com as seguintes condições:
- Déficit de atenção: 51.724 solicitações (37,39%);
- Candidatos com Transtorno do Espectro Autista: 34.723 (25,1%);
- Baixa visão: 9.792 (7,04%);
- Deficiência intelectual: 8.922 (6,45%).
Os recursos de acessibilidade mais solicitados incluem tempo adicional (77.956 solicitações), correção diferenciada (42.379) e auxílio para leitura (28.042).
Esses dados são do Painel Enem 2026, que também aborda outros recursos disponíveis, como salas acessíveis e apoio especializado em Língua Brasileira de Sinais (Libras).
Resenha Enem
No domingo, a partir das 19h30, a Agência Brasil organizará a live Resenha do Enem. A transmissão contará com a participação de professores convidados, que irão comentar as questões do exame e a redação. Os interessados poderão acompanhar pelo YouTube da Agência Brasil e YouTube da TV Brasil, além de emissoras da Rádio Nacional.


