Operação Fluxo Oculto revela esquema de R$ 26 bilhões ligado à adulteração de combustíveis
Receita Federal, Gaeco e Sefaz cumprem 59 mandados em cinco estados contra organização suspeita de fraude fiscal e lavagem de dinheiro


Uma força-tarefa formada pela Receita Federal, Gaeco e Secretaria da Fazenda de São Paulo deflagrou nesta quinta-feira (28) a Operação Fluxo Oculto, que investiga uma organização criminosa suspeita de atuar em um esquema bilionário de adulteração de combustíveis, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro.
A operação é a segunda fase da Carbono Oculto e cumpre 59 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Em Jardinópolis, cidade localizada a cerca de 20 quilômetros de Ribeirão Preto, um dos mandados foi executado pelas equipes de investigação.
Segundo as autoridades, o grupo utilizava um sofisticado esquema envolvendo nafta petroquímica. O produto era adquirido formalmente com destinação industrial, mas acabava desviado para terminais de armazenamento e misturado ilegalmente a combustíveis automotivos revendidos em postos controlados pela organização.
As investigações apontam que somente o desvio de nafta teria provocado prejuízo superior a R$ 200 milhões em impostos sonegados nos últimos dois anos.
Além da adulteração de combustíveis, os investigadores identificaram um núcleo financeiro estruturado para ocultar os recursos obtidos com as fraudes. De acordo com a Receita Federal, seis fintechs funcionavam como “bancos paralelos” do grupo criminoso e movimentaram mais de R$ 26 bilhões em quatro anos.
As apurações revelaram depósitos em espécie incompatíveis com o perfil das instituições financeiras investigadas. Em apenas uma delas, foram identificadas movimentações superiores a R$ 1 bilhão em dinheiro vivo entre 2022 e 2024.
Outro mecanismo utilizado pela organização envolvia as chamadas “contas bolsão”, usadas para centralizar e redistribuir valores ilícitos, dificultando o rastreamento dos beneficiários finais.
A operação também identificou o uso de fundos de investimento para ocultação patrimonial. Segundo os investigadores, quatro fundos, duas administradoras e duas gestoras ligadas ao esquema possuem patrimônio estimado em R$ 205 milhões.
As autoridades ainda mapearam movimentações de aproximadamente R$ 365 milhões em criptoativos relacionadas a empresas suspeitas de lavagem de dinheiro.
A Operação Fluxo Oculto é considerada uma das maiores ações integradas já realizadas contra o crime organizado no setor de combustíveis no Brasil. As investigações continuam e novas fases da operação não estão descartadas.
LEIA MAIS
Ribeirão Preto ultrapassa 10 mil buracos tapados em 2026 e intensifica recuperação das ruas
Emprega Mais Ribeirão oferece 1.080 vagas de emprego com salários de até R$ 7,2 mil



